
A primeira-dama de Jequié, Mariana Vaz Lemos de Freitas Oliva, deixará o comando da Secretaria Municipal de Saúde após a repercussão de uma publicação considerada ofensiva aos eleitores do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A exoneração, a pedido, foi oficializada nesta terça-feira (27) pelo prefeito Flávio Gondim Oliva Santana, conhecido como Flavinho, por meio do Decreto nº 28.050, com efeitos a partir de 1º de novembro de 2026.
A saída ocorre em meio à polêmica iniciada no domingo (25), logo após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais. Na ocasião, Mariana compartilhou nas redes sociais uma mensagem que associava eleitores de Lula a pessoas que não querem trabalhar e fazia referências depreciativas ao uso de drogas. O conteúdo provocou críticas e manifestações de repúdio no município.
Protesto em frente à prefeitura
Na noite de segunda-feira (26), moradores realizaram um panelaço em frente à sede da Prefeitura de Jequié para protestar contra a publicação. Os manifestantes demonstraram insatisfação com as declarações compartilhadas pela primeira-dama, que, além de ocupar um cargo público, é esposa do prefeito.
A repercussão também levou o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Jequié (Sinserv) a divulgar uma nota de repúdio. A entidade criticou as generalizações contra trabalhadores e pessoas com posicionamentos políticos diferentes, defendendo o respeito à diversidade de opiniões.
Nota de repúdio da OAB
A OAB Subseção Jequié divulgou uma nota de repúdio à publicação compartilhada pela primeira-dama e então secretária municipal de Saúde, Mariana Vaz Lemos de Freitas Oliva, por considerar que o conteúdo desqualifica e estigmatiza cidadãos em razão de suas escolhas políticas. A entidade criticou as generalizações que associam eleitores à falta de disposição para o trabalho, ao uso de drogas e à irresponsabilidade social.
Na nota, a OAB destacou que a gravidade do episódio é ampliada pelo fato de a publicação partir de uma ocupante de cargo público, de quem se espera equilíbrio, responsabilidade e respeito à diversidade de opiniões. A instituição ressaltou que a liberdade de expressão não deve servir de justificativa para manifestações preconceituosas e defendeu o diálogo, a tolerância e o respeito à democracia. “Divergir é legítimo. Discriminar, menosprezar e desqualificar brasileiros por suas convicções políticas não é”, afirmou a entidade.
Pedido público de desculpas
Diante das críticas, Mariana divulgou uma nota pública na segunda-feira (26), na qual pediu desculpas pela publicação. Ela afirmou que não teve a intenção de ofender ou desrespeitar ninguém. “Jamais tive a intenção de magoar, constranger ou desrespeitar quem quer que seja”, declarou.
Na manifestação, a primeira-dama reconheceu a importância de ouvir, admitir erros e agir com mais empatia. Também lamentou a repercussão do episódio e defendeu que a situação servisse de aprendizado. O pedido de desculpas, entretanto, não encerrou a polêmica, que continuou repercutindo nas redes sociais e entre moradores da cidade.
Exoneração oficializada

Nesta terça-feira (27), foi divulgado o Decreto nº 28.050, assinado pelo prefeito Flavinho, determinando a exoneração de Mariana do cargo comissionado de secretária municipal de Saúde, símbolo CC-1. O documento estabelece que a exoneração ocorreu a pedido da própria secretária e terá validade a partir de 1º de novembro. Portanto, embora a saída tenha sido formalizada após a repercussão do caso, o decreto não informa que a publicação nas redes sociais tenha sido o motivo oficial do desligamento. Até o momento, não há informação no documento sobre quem assumirá o comando da Secretaria Municipal de Saúde.
