Ipiaú TV entrevista o historiador e escritor Albione Souza Silva para explicar as responsabilidades de presidente, governador, senador e deputados

No próximo domingo, 4 de outubro, milhões de brasileiros irão às urnas para o primeiro turno das Eleições Gerais de 2026. Na Bahia, o eleitor fará seis escolhas: deputado federal, deputado estadual, dois senadores, governador e presidente da República. A votação acontece das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.
Mas você sabe, de fato, qual é a responsabilidade de cada cargo que será escolhido?
Para esclarecer essas dúvidas e ajudar o eleitor a compreender melhor o funcionamento das instituições, o Ipiaú TV conversou com Albione Souza Silva, historiador, escritor e membro da embrionária Academia de Letras de Ipiaú – Vale Rio das Contas.
Ao longo da entrevista, o professor apresenta sua interpretação sobre as funções dos cargos e também faz uma leitura política baseada em uma perspectiva humanista e marxista. As opiniões sobre esquerda, direita e Centrão são apresentadas como análises do entrevistado, enquanto as atribuições institucionais são confrontadas com informações oficiais.
Deputado estadual: o que ele faz?
O deputado estadual exerce seu mandato na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). Entre suas responsabilidades estão a elaboração de leis estaduais, a participação na discussão do orçamento estadual e a fiscalização das ações do governo estadual.
Na avaliação de Albione Souza, o parlamentar deve estar atento às necessidades das diferentes regiões da Bahia.
“Precisamos humanizar a política fiscal. Quando o povo do interior sofre com a precarização das rodovias, com as carências estruturais do Hospital Geral de Ipiaú ou com o sucateamento dos serviços públicos regionais, estamos diante de escolhas orçamentárias.”
Para o historiador, acompanhar a atuação dos deputados significa também observar como os recursos públicos são aplicados e quais demandas da população chegam ao Legislativo.
E o deputado federal?
O deputado federal atua na Câmara dos Deputados, em Brasília. Sua função envolve principalmente legislar, fiscalizar o Poder Executivo e participar da discussão e aprovação do Orçamento da União. Os deputados também podem apresentar emendas parlamentares para destinar recursos a determinadas ações e localidades.
Albione chama atenção para o impacto dessas decisões sobre estados e municípios.
Segundo ele, as escolhas feitas no Congresso podem influenciar áreas como agricultura familiar, educação, saúde e investimentos públicos.
É importante, porém, diferenciar destinação de recursos de execução direta de obras: deputados não administram hospitais, escolas ou obras públicas. A execução cabe ao Poder Executivo responsável.
Governador: quem administra o Estado?
O governador é o chefe do Poder Executivo estadual. Na prática, é responsável pela administração do Estado e pela implementação de políticas públicas estaduais, dentro das competências definidas pela Constituição.
Entre as áreas sob responsabilidade dos governos estaduais estão, por exemplo, a segurança pública, a rede estadual de ensino e parte importante da estrutura de saúde, além da gestão das finanças e dos serviços estaduais.
Na visão apresentada por Albione, o governador deve utilizar a estrutura do Estado para enfrentar desigualdades sociais e garantir direitos.
O historiador defende uma perspectiva humanista para a administração pública e afirma que políticas de saúde, educação, segurança e geração de oportunidades devem estar voltadas à melhoria das condições de vida da população.
Por que o eleitor votará em dois senadores?
Essa é uma das dúvidas mais comuns nas eleições deste ano.
Em 2026, cada estado brasileiro e o Distrito Federal escolherão dois senadores. O mandato de um senador é de oito anos e cada estado possui três representantes no Senado. A renovação ocorre alternadamente: em uma eleição são escolhidos dois terços das cadeiras e, na seguinte, um terço.
Na urna, portanto, o eleitor deverá votar duas vezes para senador, escolhendo candidatos diferentes para as duas vagas.
O Senado tem funções legislativas e de fiscalização, mas também possui atribuições exclusivas. Entre elas estão a aprovação de determinadas autoridades indicadas pelo presidente da República, como ministros do STF, e o julgamento de autoridades em processos por crimes de responsabilidade, conforme a Constituição.
E o presidente da República?
O presidente ocupa a chefia do Poder Executivo Federal e exerce simultaneamente as funções de chefe de Estado e chefe de governo. Entre suas atribuições estão representar o Brasil internacionalmente, conduzir a administração federal, sancionar ou vetar leis nos termos constitucionais e definir diretrizes e políticas do governo federal.
Para Albione Souza, a Presidência da República ocupa posição central nas disputas sobre os rumos econômicos e sociais do país.
Em sua análise, o presidente enfrenta permanentemente diferentes interesses existentes na sociedade e precisa tomar decisões relacionadas a políticas sociais, economia, emprego, investimentos públicos, agricultura e desenvolvimento nacional.
O historiador destaca, particularmente, temas como valorização do salário mínimo, segurança alimentar, agricultura familiar e redução das desigualdades sociais.
Direita, esquerda e Centrão: o que significam esses termos?
Outro ponto abordado pelo professor Albione Souza foi a divisão política entre esquerda, direita e Centrão.
Ele ressalta que, em sua interpretação, esses conceitos estão relacionados a diferentes visões sobre economia, Estado, direitos sociais e organização da sociedade.
Esquerda
Segundo Albione, a esquerda historicamente está associada a projetos de transformação social, ampliação de direitos e redução das desigualdades.
“A esquerda legítima brota das veias abertas do interior. Ela caminha junto com os movimentos sociais do campo, com a resistência camponesa que luta pela reforma agrária, pelo direito à terra e à vida digna na roça.”
Essa é uma interpretação política apresentada pelo entrevistado, e não uma definição institucional.
Direita
Na leitura de Albione, a direita está historicamente associada à defesa da propriedade privada, do mercado e de uma menor intervenção estatal em determinadas áreas da economia.
O professor também relaciona essa corrente a posições favoráveis à austeridade fiscal, privatizações e determinadas mudanças nas relações trabalhistas.
Como ocorre com a definição de esquerda, existem diferentes correntes dentro da direita, com posições distintas sobre o papel do Estado, economia e políticas sociais.
Centrão
Sobre o chamado Centrão, Albione apresenta uma interpretação crítica. Para ele, trata-se de um agrupamento político marcado principalmente pela negociação pragmática de apoio no Congresso.
“O Centrão é o pragmatismo desumanizado.”
O professor relaciona esse comportamento à distribuição de cargos, recursos e emendas parlamentares e sustenta que essa prática pode contribuir para a manutenção de estruturas políticas tradicionais.
A expressão “Centrão”, entretanto, não corresponde a um partido específico. É um termo utilizado para descrever um conjunto variável de partidos e parlamentares, sobretudo no Congresso Nacional, que podem formar diferentes alianças conforme cada conjuntura.
O eleitor e a responsabilidade do voto
Mais do que simplesmente escolher nomes, o eleitor estará definindo quem ocupará diferentes espaços dos Poderes Executivo e Legislativo.
