
Mensagens publicadas entre 2011 e 2013 mostram críticas do então deputado estadual a programas de transferência de renda, que ele classificava como instrumentos de “clientelismo eleitoral”.
Publicações antigas atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), feitas quando ele exercia o mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro, voltaram a circular nas redes sociais. As mensagens, datadas de novembro de 2011 e junho de 2013, registram críticas a programas de transferência de renda e trazem o termo depreciativo “bolsa-farelo” para se referir aos benefícios sociais.
Nos textos, Flávio Bolsonaro questionava iniciativas de combate à pobreza e argumentava que os programas poderiam estimular a dependência dos beneficiários em relação ao poder público. As declarações também revelam as críticas que o parlamentar fazia, naquele período, às políticas sociais associadas ao governo e ao Partido dos Trabalhadores (PT).
Flávio Bolsonaro criticou programa estadual no Rio de Janeiro
Em 23 e 24 de novembro de 2011, o então deputado estadual comentou a aprovação do programa Renda Melhor, iniciativa do governo do Rio de Janeiro voltada à complementação de renda de famílias em situação de pobreza.
Em uma das publicações, ele afirmou ter sido o único parlamentar a votar contra a proposta na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
“Aprovado bolsa-farelo estadual no RJ, por 54 votos a 1: o meu contrário ao clientelismo eleitoreiro”, escreveu.
Em outra mensagem, reforçou sua posição: “Fui o único voto contra na @alerj ao projeto ‘Renda Melhor’, q chamei de ‘bolsa-farelo’, pelo seu caráter clientelista eleitoral”.
As declarações demonstram que o parlamentar associava a política estadual de transferência de renda ao que considerava uma estratégia de obtenção de apoio político.
Deputado admitiu possibilidade de apoiar auxílio com prazo determinado
Em uma resposta ao jornalista Ancelmo Gois, Flávio Bolsonaro indicou que a existência de um prazo para o recebimento do benefício poderia mudar sua avaliação sobre o programa.
“Se houvesse o limite de tempo p/ pessoa receber o ‘bolsa-farelo’ poderia até ser favorável…”, publicou.
A mensagem sugere que, naquele momento, a duração do benefício era um dos aspectos considerados pelo então deputado em sua avaliação das políticas de assistência social.
Críticas ao PT e à transferência de renda
O tema voltou a aparecer em uma publicação de 24 de junho de 2013. Ao responder a outro usuário da rede social, Flávio Bolsonaro direcionou suas críticas ao Partido dos Trabalhadores e à condução das políticas sociais pelo governo federal.
“@PAULOSPO o PT perpetua a pobreza com o bolsa-farelo, mantendo as pessoas nessa dependência pra não perder seus votos!”, escreveu.

Na mensagem, o parlamentar sustentava que os programas de transferência de renda poderiam manter os beneficiários em uma situação de dependência política. A afirmação, porém, representa a avaliação expressa por ele na publicação, e não comprova, por si só, que os programas produzam esse efeito.
Publicações reacendem debate sobre políticas sociais
A recuperação das mensagens reabre a discussão sobre as posições adotadas por Flávio Bolsonaro no início de sua trajetória parlamentar e sobre o papel dos programas de transferência de renda no enfrentamento da pobreza.
As publicações também colocam em evidência o debate político em torno dessas iniciativas, frequentemente marcado por divergências sobre seus efeitos sociais, econômicos e eleitorais.
Enquanto críticos de programas assistenciais questionam sua capacidade de promover autonomia financeira e apontam riscos de uso político, defensores destacam a importância da transferência de renda para reduzir a pobreza e garantir condições básicas de subsistência às famílias vulneráveis.
As capturas de tela que circulam nas redes sociais devem ser consideradas à luz de seus registros originais, com atenção às datas, ao contexto das conversas e à autenticidade das mensagens. A retomada das declarações permite documentar a posição expressa pelo então deputado entre 2011 e 2013, sem dispensar a verificação das publicações originais e de eventuais manifestações posteriores do parlamentar sobre o assunto.
