Home Bahia Meta recebeu R$ 282,4 milhões de campanhas eleitorais e lidera ranking de gastos no Brasil

Meta recebeu R$ 282,4 milhões de campanhas eleitorais e lidera ranking de gastos no Brasil

por Manoel Argôlo
A+A-
Reiniciar
Dados do TSE mostram que a empresa responsável pelo Facebook e Instagram concentrou o maior volume de pagamentos declarados por candidaturas em 2026. Plataforma é alvo de questionamentos sobre a distribuição de conteúdo político durante a disputa presidencial.

A Facebook Serviços Online do Brasil, empresa do grupo Meta, responsável pelo Facebook e Instagram, foi a que mais recebeu recursos de campanhas eleitorais no Brasil em 2026. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os pagamentos declarados pelas candidaturas somaram R$ 282,4 milhões entre o início da campanha, em agosto, e a quarta-feira (14 de outubro).

O levantamento também aponta que outras empresas ligadas à divulgação e ao impulsionamento de conteúdo receberam valores expressivos. A DLocal, que atua no setor de pagamentos, aparece na segunda posição, com R$ 99 milhões. Já a Delta3 Comunicação recebeu R$ 31 milhões.

A Meta oferece serviços de publicidade que permitem às campanhas ampliar o alcance de publicações nas redes sociais, direcionando anúncios a públicos específicos. Os valores apresentados, entretanto, são parciais e podem aumentar com novas declarações de despesas eleitorais.

Flávio Bolsonaro e Lula lideram pagamentos à plataforma

Entre os candidatos à Presidência que disputam o segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL) declarou ter realizado 13 pagamentos à Meta entre os dias 8 e 30 de setembro, totalizando R$ 7,5 milhões. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece na sequência, com R$ 2,6 milhões em despesas declaradas diretamente à empresa.

Os dados também mostram que o investimento em publicidade digital não garante vitória eleitoral. Entre as dez candidaturas que mais destinaram recursos diretamente à Meta, algumas foram eleitas, enquanto outras não conseguiram vencer suas disputas.

Em São Paulo, por exemplo, Fernando Haddad (PT), derrotado por Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa pelo governo estadual, declarou gastos de aproximadamente R$ 2,5 milhões com a plataforma. Tarcísio, por sua vez, também investiu em publicidade digital, com pagamentos registrados à DLocal.

Outros candidatos que aparecem entre os que mais gastaram foram Ciro Gomes (PSDB), na disputa pelo governo do Ceará; Aécio Neves (PSDB), candidato ao Senado por Minas Gerais; e Alexandre Curi (Republicanos), que concorreu ao Senado pelo Paraná.

Impulsionamento e questionamentos sobre os algoritmos

A publicidade paga permite que as campanhas ampliem a distribuição de vídeos, imagens e mensagens eleitorais. A Biblioteca de Anúncios da Meta apresenta informações sobre parte desses investimentos, incluindo estimativas de gastos e características do público alcançado, mas não disponibiliza todos os dados detalhados de distribuição.

O funcionamento dos algoritmos da empresa também passou a ser alvo de questionamentos durante a campanha. Integrantes do PT, pesquisadores e organizações da sociedade civil levantaram suspeitas de que determinados conteúdos políticos teriam recebido tratamento desigual na plataforma.

Segundo reportagens publicadas pela Folha de S.Paulo, a campanha petista acusou a empresa de retirar do ar publicações favoráveis a Lula sem apresentar explicações. A Meta negou as acusações na ocasião, e o Ministério Público Federal abriu uma apuração sobre o caso.

Outro questionamento foi apresentado pelo NetLab, laboratório de pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que apontou indícios de veiculação de anúncios políticos pagos no exterior, prática proibida pela legislação eleitoral brasileira. A Meta informou que os anúncios identificados foram regularizados ou removidos.

Um relatório da organização Sleeping Giants Brasil também apontou indícios de maior distribuição de conteúdos de perfis ligados ao bolsonarismo na aba Reels. As conclusões fazem parte das discussões sobre a transparência dos sistemas de recomendação e a influência das plataformas digitais no debate público.

Meta atribui problemas a incidentes técnicos

Em reportagem publicada nesta sexta-feira (16), a Folha de S.Paulo informou, com base em documentos internos da empresa, que funcionários da Meta tinham conhecimento de restrições que teriam limitado a campanha de Lula.

Procurada pelo jornal para comentar os valores recebidos durante as eleições e as suspeitas de favorecimento político, a empresa não quis se manifestar sobre as questões apresentadas.

Em comunicado divulgado na mesma sexta-feira, a Meta afirmou que não está interferindo nas eleições brasileiras e classificou os episódios relatados como incidentes técnicos. Segundo a companhia, o problema afetou milhares de anunciantes em diferentes países e foi encerrado após a reversão de uma atualização de código, nas primeiras horas de 10 de outubro.

O caso amplia o debate sobre a transparência das plataformas digitais, os critérios de distribuição de conteúdo político e a fiscalização da publicidade eleitoral no Brasil.

postagens relacionadas

Deixe uma resposta