
Um antigo brinquedo que marcou a infância de muitos brasileiros nos anos 2000 ganhou uma nova função. O Laptop da Xuxa, fabricado pela Candide, foi transformado em um computador funcional capaz de executar Linux, acessar a internet e reproduzir vídeos no YouTube.
A adaptação foi realizada pela programadora e influenciadora Gio Yaml, que desenvolve projetos envolvendo hardware e programação. O vídeo mostrando a montagem ultrapassou 100 mil visualizações no YouTube e chamou atenção pela transformação do equipamento infantil em um computador portátil personalizado.
Peças modernas substituíram o sistema original

Apesar de manter a carcaça rosa, o teclado e a membrana do brinquedo, praticamente toda a parte responsável pelo processamento foi substituída.
O projeto utiliza um Raspberry Pi para executar o sistema operacional, enquanto um cartão microSD armazena o Raspberry Pi OS, distribuição baseada em Linux. Uma tela de 7 polegadas também foi instalada no lugar do pequeno visor monocromático original.
Com a nova configuração, o equipamento passou a executar tarefas características de um computador convencional, dentro dos limites do hardware utilizado.
Teclado original ganhou nova função
Um dos desafios da adaptação foi fazer o teclado do brinquedo funcionar no novo sistema. Para isso, a programadora utilizou uma placa Pro Micro, compatível com Arduino e equipada com o microcontrolador ATmega32U4.
O teclado original funciona por meio de uma matriz de linhas e colunas. As conexões foram identificadas e testadas com um multímetro antes de serem ligadas à Pro Micro.
Depois, um firmware foi desenvolvido para interpretar cada combinação de contatos e transformá-la em comandos reconhecidos pelo Raspberry Pi por meio da conexão USB. Dessa forma, as teclas originais passaram a funcionar como um teclado convencional.
Carcaça precisou ser modificada
Embora a aparência externa tenha sido preservada, o interior do brinquedo passou por alterações significativas. A eletrônica educativa original foi retirada e substituída pelos novos componentes.
A tampa precisou ser cortada para receber a tela de 7 polegadas, enquanto Raspberry Pi, Pro Micro, cabos e demais componentes foram distribuídos dentro do espaço disponível.
O resultado mantém o visual característico do Laptop da Xuxa, mas transforma completamente sua estrutura interna.
Projeto é exemplo de cultura maker
A transformação também mostra como brinquedos e equipamentos eletrônicos antigos podem ganhar novas funções por meio da chamada cultura maker.
Projetos desse tipo, conhecidos como cyberdecks quando resultam em computadores portáteis personalizados, podem utilizar carcaças antigas para receber placas modernas, telas e outros componentes.
No entanto, a adaptação exige planejamento, especialmente em relação ao espaço disponível, alimentação elétrica, dissipação de calor, fixação das peças e compatibilidade entre os componentes. Soldagem e testes de continuidade também exigem ferramentas adequadas e conhecimento técnico.
Linux foi fundamental para a transformação
A escolha do Linux está relacionada à compatibilidade com o Raspberry Pi e à possibilidade de personalização do sistema. No projeto, o Raspberry Pi OS fornece a interface gráfica e permite executar aplicativos e acessar a internet.
A configuração final reúne três elementos principais: a Pro Micro interpreta os comandos do teclado, o Raspberry Pi realiza o processamento e o Raspberry Pi OS fornece o ambiente do computador.
Assim, o antigo “PC da Xuxa”, conhecido durante anos na internet como referência a computadores de baixo desempenho, ganhou uma nova versão funcional graças à combinação de hardware moderno, programação e reaproveitamento de um brinquedo antigo.
