
A disputa pela Presidência da República em 2026 colocou o Nordeste no centro da estratégia eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Com nove Estados e cerca de 27,42% do eleitorado nacional, a região é considerada um território importante para a composição dos votos no segundo turno.
Após cerca de 40 dias de campanha, os dois candidatos ampliaram a presença em diferentes Estados nordestinos, embora com objetivos distintos. Lula busca preservar a vantagem historicamente registrada pelo PT na região, enquanto Flávio tenta ampliar a votação do PL e reduzir a diferença observada nas eleições anteriores.
Na quinta-feira (24), Lula esteve em Alagoas e, na sexta-feira (25), participou de compromissos em Pernambuco. A agenda também prevê passagens pelo Ceará e pela Bahia na próxima semana. A estratégia inclui associar a candidatura presidencial aos candidatos aliados que disputam governos estaduais.
Na Bahia, por exemplo, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) busca a reeleição em uma disputa apontada como acirrada contra o ex-deputado ACM Neto (União). O Estado também tem peso relevante para Lula: no segundo turno de 2022, a Bahia registrou uma das maiores votações do petista entre os Estados nordestinos.
Em Pernambuco, Lula mantém apoio ao ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), que disputa o governo estadual contra a governadora Raquel Lyra (PSD). Já no Ceará, a estratégia petista envolve aproximar a imagem de Lula da candidatura à reeleição do governador Elmano de Freitas (PT).
A campanha de Flávio Bolsonaro, por sua vez, também passou a dedicar atenção especial ao Nordeste. O candidato já esteve em seis dos nove Estados da região — Alagoas, Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco, Bahia e Maranhão — e deve ampliar a agenda nos próximos dias.
O candidato do PL tem concentrado parte do discurso em temas sociais e econômicos, especialmente no poder de compra das famílias e nos programas de transferência de renda. Em diferentes atos, Flávio tem defendido a manutenção de benefícios sociais e procurado relacionar a situação econômica atual às administrações federais anteriores.
A escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice também reforçou a presença nordestina na chapa. Outro nome de destaque na coordenação política do grupo é o senador Rogério Marinho (PL-RN).
O desafio do PL é alterar um cenário eleitoral consolidado na região. Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro no segundo turno nos nove Estados nordestinos por 69,34% a 30,66%, segundo os resultados oficiais daquele pleito.
Agora, a campanha bolsonarista aposta em questões como inflação, endividamento e perda do poder de compra para ampliar sua votação entre os eleitores nordestinos.
Do lado petista, aliados reconhecem que a margem de vantagem pode ter sofrido alterações em relação a ciclos eleitorais anteriores, mas sustentam que o Nordeste continua sendo uma importante base eleitoral do presidente.
Com o Sudeste concentrando 41,78% do eleitorado brasileiro e o Nordeste reunindo 27,42%, as duas regiões representam juntas uma parcela decisiva do eleitorado nacional. Por isso, a intensificação das agendas de Lula e Flávio nos Estados nordestinos evidencia o peso da região na estratégia das duas campanhas.
A eleição, porém, ainda está em andamento, e o comportamento do eleitorado poderá sofrer alterações até a votação. Pesquisas eleitorais e resultados oficiais serão necessários para medir eventuais mudanças na distribuição dos votos entre os candidatos.
