
Uma proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, detalhou acusações contra o grupo político ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA). No relato, o empresário afirmava que teriam sido repassados cerca de R$ 3 milhões por mês em vantagens indevidas atreladas às operações do cartão de crédito consignado Credcesta, voltado a servidores públicos baianos. A negociação, no entanto, foi rejeitada em definitivo pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por ausência de elementos de corroboração e provas materiais.
De acordo com as informações apuradas, Vorcaro admitiu aos investigadores que não presenciou os acordos diretamente, mas que teria tomado conhecimento das negociações por meio de seu então sócio, Augusto Lima. Os repasses mensais seriam divididos em duas modalidades: cerca de R$ 2 milhões através de contratos considerados fictícios entre o Banco Master e a empresa PKL One, e R$ 1 milhão distribuído em espécie.
A estrutura investigada envolve a privatização da antiga Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), estatal que gerenciava o Credcesta. A Ebal foi arrematada pela NGV Empreendimentos por R$ 15 milhões, sob a alegação de que a empresa pertencia de fato a Augusto Lima, embora estivesse em nome de um investidor espanhol. Na época do leilão, Jaques Wagner atuava como secretário de Desenvolvimento Econômico do estado, na gestão do então governador Rui Costa.
O relato de Vorcaro apontava ainda a participação do empresário Guilherme Henrique Sodré Martins, o “Guiga”, indicado como suposto operador e detentor de fatia societária na PKL One. Para viabilizar os saques de valores em espécie, seriam utilizados contratos com sobrepreço firmados com correspondentes bancários, além de operações com notas comerciais.
Apesar do detalhamento nos anexos, a PGR acompanhou o parecer da Polícia Federal e recusou o acordo de colaboração premiada em junho. Segundo o órgão ministerial, os relatos do ex-banqueiro não trouxeram fatos novos comprováveis nem documentos capazes de sustentar o início de um processo criminal.
As defesas do senador Jaques Wagner e de Augusto Lima negaram veementemente as acusações, destacando a total ausência de provas nas narrativas apresentadas. Já os advogados de Daniel Vorcaro repudiaram o vazamento dos anexos e declararam não reconhecer a autenticidade do material divulgado.
