Home Brasil Desilusão com fuga de Flávio faz Forças Armadas anteciparem adesão a Tarcísio para 2030

Desilusão com fuga de Flávio faz Forças Armadas anteciparem adesão a Tarcísio para 2030

por Alisson Calazans
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A repetição do enredo pós-eleitoral de 2022 causou uma fratura exposta na relação entre a chamada “família militar” e a dinastia Bolsonaro. A saída de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos após a derrota na campanha de 2026, combinada com nova contestação do resultado e a divulgação de uma carta golpista, deflagrou uma onda de forte indignação na caserna. O movimento abriu caminho para um movimento antecipado de adesão das Forças Armadas ao governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), visando o pleito de 2030.

O sentimento dominante entre oficiais ouvidos reservadamente por este jornal é o de abandono da tropa pelo comandante. Para um oficial-general que atuou no Congresso e em diferentes governos, deixar o país sem reconhecer o resultado eleitoral ou prestar contas aos milhões de eleitores é um gesto considerado imperdoável sob a ótica da disciplina militar. Integrantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica classificam a atitude como uma quebra de valores fundamentais — como caráter, honra, lealdade e gratidão —, descartando a narrativa de perseguido político tentada pelo candidato derrotado.

“Menos Bolsonaro, mais Tarcísio”

A insatisfação com a conduta do clã Bolsonaro acelerou a busca por uma alternativa no espectro conservador. Um ex-comandante de Força resumiu o ambiente interno na caserna com uma frase que sintetiza a expectativa dos oficiais após o encerramento do ciclo eleitoral:

“Esperamos que Lula tenha a sabedoria de tentar pacificar o país. O sentimento pós-eleitoral aqui é: menos Janja, mais Alckmin. Menos Bolsonaro, mais Tarcísio.”

A simpatia por Tarcísio de Freitas não se limita ao fato de o governador ser capitão da reserva do Exército. Militares ressaltam a trajetória institucional do governador de São Paulo, que deixou a farda pela “porta da frente” ao passar em concurso público após sua formação na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) e no Instituto Militar de Engenharia (IME), além de ter atuado na Missão de Paz da ONU no Haiti (Minustah). A avaliação interna é que Tarcísio possui vínculos mais sólidos com o Exército e maior preparo administrativo que Bolsonaro e seus filhos, por ter servido a três governos de diferentes matrizes (Dilma, Temer e Bolsonaro) e comandar o estado mais rico do país.

Antipetismo e críticas à atuação do STF

Mesmo entre oficiais que reconhecem os dois primeiros mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva como o período de maior aporte financeiro e investimento em projetos estratégicos das Forças Armadas, o voto em Flávio Bolsonaro prevaleceu no pleito recente.

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