
A política de Ipiaú entrou definitivamente em modo de observação.
O que durante muito tempo foi apresentado como um único grupo político, construído em torno da ex-prefeita Maria das Graças e que posteriormente levou Laryssa Dias à Prefeitura, começa a apresentar movimentos diferentes — e, neste domingo (27), uma imagem chamou especialmente a atenção.
Maria das Graças foi para as ruas. Laryssa Dias esteve em Córrego de Pedras. E o vice-prefeito Orlando Santos acompanhou Maria.
O detalhe não passou despercebido.
Orlando não é apenas uma liderança política que participou de uma agenda qualquer. Ele é o atual vice-prefeito de Ipiaú e foi eleito em 2024 na chapa encabeçada por Laryssa Dias. A própria documentação da campanha apresentava os dois como integrantes de um projeto político de continuidade, que também fazia referência ao legado da administração de Maria das Graças.
Por isso, vê-lo agora em uma mobilização conduzida por Maria, enquanto Laryssa realizava outra agenda, inevitavelmente produz uma pergunta:
o grupo continua unido ou o tabuleiro começou a ganhar novos desenhos?
O detalhe que fala mais do que qualquer discurso

Até o momento, não houve anúncio público de rompimento entre Maria das Graças e Laryssa Dias.
Nenhuma das duas declarou oficialmente que deixou de caminhar politicamente com a outra.
Mas política também é feita de imagens.
E as imagens deste domingo foram diferentes.
Maria esteve acompanhada de apoiadores e lideranças pelas ruas da cidade. Laryssa, por sua vez, cumpriu agenda em Córrego de Pedras.
E, no meio dessa divisão geográfica, apareceu um personagem que talvez seja um dos mais importantes para a leitura desse episódio: Orlando Santos.
O vice-prefeito, que chegou à Prefeitura junto com Laryssa, esteve no movimento ao lado de Maria.
Isso não significa automaticamente rompimento com Laryssa.
Mas seria ingenuidade política dizer que a cena não produz questionamentos.
Maria está voltando

A movimentação de domingo também precisa ser colocada dentro de um contexto maior.
Maria das Graças já havia anunciado publicamente que estava retornando às ruas para pedir votos para seus candidatos. Em entrevista ao Panorama Ipiaú, a ex-prefeita afirmou que estava “chegando” e que pretendia percorrer a cidade de porta em porta. Na ocasião, chamou atenção também o fato de não ter citado Laryssa Dias ao falar sobre seus atuais movimentos políticos.
Depois disso, Maria passou a intensificar sua presença.
Ela anunciou a agenda “Maria Visita”, esteve em contato com moradores e passou a aparecer novamente em atividades políticas.
E não voltou para fazer figuração.
Maria está pedindo votos.
Está apresentando seus candidatos.
Está ocupando as ruas.
E está construindo novamente uma presença política que havia ficado mais discreta nos últimos meses.
A mesma base, mas candidatos diferentes
Outro ponto que chama atenção é que Maria e Laryssa continuam, em boa medida, orbitando o mesmo campo político estadual.
Ambas estão relacionadas ao grupo que apoia o presidente Lula, o governador Jerônimo Rodrigues, Rui Costa e Jaques Wagner.
Também existe convergência em torno do deputado estadual Niltinho.
Mas, quando chega à disputa para deputado federal, os caminhos se separam.
Laryssa está alinhada a Antônio Brito.
Maria apoia Mário Negromonte Júnior.
E, na disputa para deputado estadual, Maria também declarou apoio a Marcel Hohlenwerger, além de mencionar Patrick Lopes em sua estratégia eleitoral. O apoio a Marcel foi formalizado publicamente pela ex-prefeita e posteriormente ganhou destaque no podcast Cri Cri na Lata, onde o candidato falou sobre a relação política com Maria.
Ou seja: o mesmo campo político, mas palanques diferentes.
E agora, eventos diferentes.
E se Maria e Laryssa estivessem juntas?
É justamente aqui que começa a matemática política.
Se as duas principais lideranças que participaram da construção do grupo vencedor de 2024 estivessem juntas em uma única mobilização, com a estrutura política, lideranças e apoiadores reunidos no mesmo espaço, o tamanho do evento poderia ser ainda maior.
Mas isso não aconteceu.
Maria foi para um lado.
Laryssa foi para outro.
E Orlando esteve com Maria.
Não é preciso declarar rompimento para que o eleitor perceba que alguma coisa mudou na fotografia.
E Jerônimo?
A divisão também pode ter reflexos na eleição estadual.
O governador Jerônimo Rodrigues enfrenta em 2026 uma disputa que tem impacto direto sobre os grupos políticos municipais. Em Ipiaú, a movimentação das lideranças locais pode ser particularmente importante para a formação das bases eleitorais.
Existem avaliações internas e comentários políticos sobre o desempenho de Jerônimo e ACM Neto no município, mas, sem divulgação pública de metodologia e números completos, qualquer resultado atribuído a pesquisas internas precisa ser tratado com cautela.
O fato político concreto é outro:
o grupo que poderia apresentar uma imagem mais unificada em torno do governador está realizando movimentos separados.
E eleição não é feita apenas de números.
É feita de fotografia.
É feita de palanque.
É feita de quem aparece ao lado de quem.
Maria e Matheus: coincidência ou começo de uma nova conversa?

Se a presença de Orlando ao lado de Maria já chama atenção, outra aproximação vem alimentando ainda mais os comentários.
A ex-prefeita também apareceu ao lado do cirurgião-dentista e liderança política Dr. Matheus Menezes.
Os dois foram vistos fazendo política e pedindo votos para seus candidatos.
A imagem rapidamente passou a circular nas redes sociais.
E Matheus não é um nome qualquer quando se fala no futuro político de Ipiaú.
No podcast Cri Cri na Lata, apresentado por Cristiano Quaresma, Matheus foi questionado diretamente sobre seu antigo projeto de disputar a Prefeitura.
A resposta foi clara:
“Eu tenho um sonho sim de ser prefeito de Ipiaú.”
Matheus afirmou que o projeto continua vivo e que pretende construir uma relação com a população. A declaração recolocou publicamente seu nome no debate sobre 2028.
Agora imagine a fotografia:
Maria das Graças, Orlando Santos e Matheus Menezes aparecendo em movimentos políticos diferentes daqueles protagonizados pela prefeita Laryssa.
Isso significa uma nova aliança?
Não.
Pelo menos ainda não.
Mas significa que existe uma fotografia política que merece ser observada.
Alipinho também entra no jogo

Do outro lado está Alipinho da Doce Mel.
Ligado ao grupo de oposição que tem ACM Neto como principal nome na disputa estadual, Alipinho já participou de mobilizações importantes em Ipiaú ao lado de Zé Cocá e outras lideranças oposicionistas. Em ato realizado recentemente na Avenida São Salvador, o grupo reuniu nomes como Sandro Régis e Leur Lomanto Júnior.
Zé Cocá também esteve em Ipiaú ao lado de Alipinho, Sandro Régis, Hassan e Leur Lomanto Júnior em uma caminhada do grupo de oposição.
Alipinho, portanto, não desapareceu do cenário.
Ao contrário.
Ele pode estar observando.
E uma das movimentações que chamou sua atenção foi justamente a de Maria.
Nas redes sociais, Alipinho questionou a decisão da ex-prefeita de fazer campanha para seus próprios candidatos em vez de aparecer politicamente alinhada a Laryssa, candidata que Maria ajudou a eleger em 2024.
A provocação tem endereço certo.
E levanta uma questão que provavelmente continuará sendo repetida:
se Maria ajudou Laryssa a chegar à Prefeitura, por que agora as duas não aparecem juntas na campanha?
O que pode estar por trás?
Existem várias possibilidades.
Pode ser apenas uma divisão natural das agendas eleitorais.
Pode ser uma estratégia para ampliar a presença territorial dos candidatos.
Pode ser uma diferença pontual na escolha dos deputados.
Pode ser uma mudança na relação política entre as duas.
Ou pode ser o início de uma reorganização maior do grupo pensando no futuro.
Nenhuma dessas hipóteses, porém, pode ser tratada como fato neste momento.
O que pode ser observado são os movimentos.
E os movimentos estão acontecendo.
2026 pode estar desenhando 2028
Talvez essa seja a parte mais interessante de toda essa história.
A eleição deste ano não vai escolher prefeito de Ipiaú.
Mas pode começar a mostrar quem terá força para disputar a Prefeitura em 2028.
Laryssa terá o peso da máquina administrativa e de sua base política.
Maria possui uma trajetória eleitoral e uma base construída ao longo de anos.
Matheus está novamente colocando seu nome em evidência e reafirmando publicamente o sonho de chegar à Prefeitura.
Alipinho mantém uma conexão com o campo oposicionista e já demonstrou disposição para continuar participando do jogo eleitoral.
E existem ainda outros nomes que podem surgir.
A disputa pode deixar de ser uma simples sucessão de grupos tradicionais e caminhar para um cenário com mais de dois ou três polos.
E aí aparece a grande questão:
quem ficará com quem?
Maria continuará próxima de Laryssa?
Orlando permanecerá ao lado da prefeita ou sua presença ao lado de Maria representa apenas uma agenda eleitoral?
Maria poderá construir uma aproximação política com Matheus?
Alipinho voltará a disputar?
Laryssa conseguirá manter seu grupo unido?
E, principalmente, quem conseguirá transformar a votação de 2026 em capital político para 2028?
O tabuleiro está montado
Por enquanto, ninguém anunciou oficialmente uma nova aliança para 2028.
Não existe declaração pública de Maria apoiando Matheus para prefeito.
Não existe anúncio de rompimento entre Maria e Laryssa.
Não existe confirmação de que Orlando esteja mudando de grupo.
Mas existe algo que a política dificilmente consegue esconder:
os movimentos.
E, neste domingo, o movimento mais comentado não foi apenas Maria estar nas ruas.
Foi quem estava ao lado dela.
Enquanto Laryssa estava em Córrego de Pedras, Maria caminhava pela cidade.
E ao lado de Maria estava Orlando Santos.
O mesmo Orlando que, em 2024, foi eleito vice-prefeito na chapa de Laryssa.
Talvez seja apenas uma fotografia de campanha.
Talvez seja mais do que isso.
A resposta não está nas palavras de hoje.
Está nos próximos passos.
Porque, em Ipiaú, a eleição de 2026 pode estar escolhendo deputados.
Mas, nos bastidores, muita gente já está pensando em 2028.
E, quando o assunto é política, uma coisa é certa:
o palanque de hoje pode não ser o mesmo de amanhã.
Redação Ipiaú TV
