Home Bahia Médicos sem salário e com medo de represálias: sindicato denuncia crise em hospitais da Bahia

Médicos sem salário e com medo de represálias: sindicato denuncia crise em hospitais da Bahia

por suporte
Exame da SBMFC fortalece profissionais do primeiro nível de atenção do SUS; preparatórios como o MedExperts já aprovaram mais de mil médicos Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A crise na gestão da saúde pública da Bahia volta a gerar tensão entre a categoria médica e o poder público. Após cumprirem cinco meses sem o recebimento de salários, cerca de 25 cirurgiões que atuam no Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), na capital baiana, haviam comunicado um desligamento programado das escalas de plantão. No entanto, o grupo optou por suspender temporariamente a saída para aguardar a conclusão das negociações de regularização dos repasses.

De acordo com informações do Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindimed), a situação vivenciada no HGRS não se trata de um fato isolado, mas sim de uma prática recorrente que afeta diversas unidades do estado. A modalidade de contratação via pessoa jurídica (PJ), sem garantia de estabilidade e vinculada a tabelas remuneratórias das organizações sociais administradoras, tem precarizado as condições de trabalho e gerado apreensão quanto a possíveis retenções financeiras e retaliações.

Recentemente, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) informou ter concedido um reajuste de 30% na remuneração dos plantões do HGRS. O Sindimed, por sua vez, pondera que a medida não configura aumento real, mas sim uma correção na reclassificação da unidade, que opera com alta complexidade e exige atendimento a casos graves, diferentemente do parâmetro remuneratório anteriormente praticado.

Se em Salvador as negociações avançam em ritmo de espera, no extremo sul do estado a situação do Hospital Regional Luís Eduardo Magalhães, localizado em Porto Seguro, atinge níveis ainda mais delicados. O local enfrenta sucessivas instabilidades operacionais e administrativas. Após denúncias sobre falta de insumos, equipamentos danificados e trocas recentes na gestão terceirizada, os profissionais voltam a registrar atrasos nos honorários referentes a meses recentes.

A entidade sindical ressalta que o medo de retaliações tem levado profissionais a evitarem manifestações individuais. Diante desse cenário, o Sindimed reforça que possui prerrogativa jurídica para interpor ações coletivas em favor da classe, preservando a identidade dos denunciantes e buscando a regularização dos honorários sem prejuízo ao atendimento da população.

A orientação das entidades representativas é para que os serviços essenciais não sejam paralisados de forma desordenada, garantindo a continuidade da assistência aos pacientes enquanto prosseguem as cobranças institucionais junto aos órgãos responsáveis.

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