
IPIAÚ – O empresário Alípio Alves de Oliveira Júnior, conhecido como Alipinho da Doce Mel, fez duras críticas ao Governo da Bahia durante entrevista concedida ao Ipiaú TV após um encontro com produtores rurais e lideranças do setor agrícola realizado no auditório do Sindicato Rural de Ipiaú.
O evento reuniu representantes do agronegócio, prefeitos, deputados e lideranças políticas, além da presença do pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto, e do ex-ministro João Roma (PL), pré-candidato ao Senado Federal.
Em conversa com o repórter Cristiano Quaresma, Alipinho afirmou que o encontro teve como foco principal discutir produção e desenvolvimento econômico, mas acabou também trazendo críticas ao atual modelo de gestão do estado.
Segundo o empresário, a Bahia precisa rever sua relação com quem gera emprego e renda.
“A Bahia precisa voltar a produzir e gerar emprego. O Governo da Bahia tem que parar de atrapalhar quem gera emprego e começar a ajudar o agricultor, seja pequeno ou grande, e também o empresário”, afirmou.
Relato de dificuldades para empreender
Durante a entrevista, o empresário relatou episódios que, segundo ele, demonstram obstáculos enfrentados por quem deseja investir no estado. Alipinho citou como exemplo a transferência de uma fábrica de cremosinho que funcionava em Ipiaú para o estado de Pernambuco.
De acordo com ele, o ambiente tributário e a dificuldade de acesso ao governo teriam influenciado na decisão.
“Na época eu tinha uma fábrica de cremosinho aqui em Ipiaú e outra em Pernambuco. Com as condições de imposto na Bahia, não era viável continuar aqui. Em Pernambuco, o governo disse que queria que o empresário gerasse emprego. Hoje compramos cerca de 12 mil litros de leite por dia lá para produzir”, relatou.
Ele também afirmou que tentou implantar um laticínio em Ipiaú em 2017, mas disse ter encontrado entraves burocráticos durante o processo de licenciamento.
Críticas à política para o agronegócio
Alipinho também comentou sobre o cenário da produção de cacau e criticou o que considera falta de políticas estruturadas para o setor agrícola.
Segundo ele, produtores enfrentam dificuldades históricas e muitos ainda carregam dívidas de investimentos feitos no passado.
“A agricultura no mundo inteiro é subsidiada, porque é quem garante alimento e mantém o homem no campo. Aqui faltou uma política séria voltada para o agro”, declarou.
O empresário ainda defendeu que o crescimento econômico depende da valorização da produção.
“O que faz a economia girar é produção: plantar, industrializar e vender. Quando a produção cresce, o dinheiro circula”, pontuou.
Apoio político declarado
Questionado sobre o cenário eleitoral, Alipinho declarou apoio a lideranças da oposição no estado e afirmou que pretende atuar na campanha de aliados políticos nas próximas eleições.
“Tenho compromisso de trabalhar na campanha para que possamos eleger ACM Neto governador, além de apoiar Sandro Régis, Leur Lomanto e outras lideranças”, disse.
Ao final da entrevista, o empresário demonstrou confiança no projeto político que defende.
“A Bahia tem potencial, tem mão de obra e tem empresários dispostos a investir. O que falta é um ambiente que incentive quem quer produzir”, concluiu.