
DÁRIO MEIRA – A enchente voltou. E com ela, retornaram as cobranças, as declarações polêmicas, os aplausos no palanque e a disputa narrativa entre governo e oposição. Nesta sexta-feira (27/02/2026), o transbordamento do Riacho do Meio fez famílias retirarem móveis às pressas mais uma vez, repetindo um cenário que a população afirma vivenciar há anos.
As cobranças públicas começaram ainda em 28 de novembro de 2025, quando o comunicador Bocão, da página Dallas City Lives, questionou a paralisação da obra da nova entrada da cidade — anunciada como rota alternativa em caso de enchentes — e do desvio do Riacho do Meio. Segundo placa instalada no local, o investimento ultrapassa R$ 5 milhões. À época, moradores relataram insegurança e disseram “viver de promessas”.
No início de dezembro de 2025 , durante visita oficial ao município para assinatura da ordem de serviço da macrodrenagem, o governador Jerônimo Rodrigues reagiu às críticas. Em discurso, insinuou que o comunicador poderia estar “recebendo alguma coisa por fora” e classificou a postura como inadequada. A declaração repercutiu nacionalmente, gerando debates sobre liberdade de cobrança popular e responsabilidade institucional.
O próprio governador reconheceu que a obra mencionada “não foi feita”, mas afirmou sentir-se injustiçado e pediu confiança da população. O discurso foi aplaudido pela prefeita de Dário Meira durante o evento, gesto que acabou gerando críticas de parte da comunidade. Para moradores que enfrentam os alagamentos, o momento foi interpretado como politização de uma reivindicação considerada legítima.
A situação ganhou novo desdobramento quando o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, publicou vídeo criticando o governador, acusando-o de arrogância e defendendo o direito de questionamento do morador. A reação da oposição, por sua vez, também foi alvo de críticas, com avaliações de que o episódio estaria sendo utilizado como ferramenta de enfrentamento político estadual.
Agora, quase três meses depois da primeira cobrança pública, o cenário se repete. Em vídeo divulgado nesta sexta-feira, Bocão afirmou que as máquinas prometidas não chegaram ao local e voltou a cobrar o cumprimento das palavras anunciadas. As imagens mostram novamente famílias retirando pertences diante da elevação da água.
Moradores ouvidos relatam sensação de desgaste emocional e insegurança constante. “Não é sobre política, é sobre resolver”, afirmou um residente que preferiu não se identificar. Outro declarou que “todo ano é a mesma tensão quando começa a chover”.
Enquanto isso, o debate nas redes sociais segue polarizado. De um lado, defensores do governo argumentam que obras estruturantes exigem trâmites técnicos e prazos administrativos. De outro, críticos sustentam que o tempo de espera já ultrapassou o aceitável diante da recorrência dos danos.
O fato é que a enchente deixou de ser apenas um fenômeno climático e passou a simbolizar um impasse maior: promessas anunciadas, cobranças públicas, reações institucionais e aproveitamento político. Entre discursos, aplausos e vídeos de resposta, a população segue aguardando soluções concretas.
Até o momento, não houve atualização oficial detalhando o novo cronograma para execução definitiva das intervenções estruturais citadas. * Redação Ipiaú TV