
Na manhã desta quinta-feira (26), a equipe do Ipiaú TV esteve na região da Horta Comunitária, em Ipiaú, após o transbordamento do Rio da Água Branca deixar moradores ilhados. A reportagem foi conduzida pelo repórter Cristiano Quaresma, que acompanhou de perto o drama de famílias que enfrentam, mais uma vez, os impactos das fortes chuvas.
Ao chegar ao local, a equipe constatou que a água já havia avançado até a porta de diversas residências. Crianças circulavam em meio à área alagada, enquanto moradores tentavam salvar móveis e eletrodomésticos.
Uma das moradoras ouvidas foi Mônica, que vive na localidade há cerca de dez anos. Segundo ela, a situação se repete anualmente.

“Todo ano é essa mesma coisa”, relatou. De acordo com Mônica, o nível da água subiu rapidamente entre a noite de quarta-feira e a manhã desta quinta. “Foi de ontem para hoje, de repente alagou”, afirmou.
A moradora teme que o volume continue aumentando. “É aumentar. Porque de ontem para hoje estava mais pouco a água, hoje está desse jeito. Então provavelmente vai subir mais.”
Dentro da residência, os prejuízos já são visíveis. Móveis e eletrodomésticos foram atingidos. “Molhou tudo: geladeira, sapateira… o quartinho dele molhou tudo. A cama, a geladeira não presta mais”, contou, emocionada. Mãe de oito filhos, Mônica disse que as crianças são as mais afetadas pela situação. “Eles cresceram com essa luta.”

Outro morador, identificado como Deivid, também teve a casa invadida pela água. Ele estava construindo um banheiro quando foi surpreendido pela enchente. “Nem terminei e já alagou tudo aqui”, disse. Segundo ele, a preocupação é que a estrutura recém-construída seja comprometida.
Questionados pelo repórter Cristiano Quaresma sobre a possibilidade de deixar o local, os moradores afirmaram que o desejo existe, principalmente por causa das crianças. “Minha vontade é sair daqui por minhas crianças. Quem sai prejudicado são elas”, relatou uma das moradoras.

Ela explicou que conseguiu erguer uma nova estrutura com recursos de benefício social e ajuda de membros da igreja, mas mesmo assim o imóvel continua em área sujeita a alagamentos. “Todo ano tem essa chuva”, afirmou.
Além das perdas materiais, os moradores relatam riscos à saúde, citando aumento de insetos, presença de roedores e ausência de infraestrutura adequada de esgotamento sanitário.
A comunidade aguarda apoio e medidas que possam oferecer maior segurança às famílias que vivem às margens do rio. Enquanto isso, a incerteza permanece, e o nível da água continua sendo acompanhado com apreensão pelos moradores. * Redação Ipiaú TV / Fotos e Imagens Alysson Calazans