Home Destaque Após 28 anos de espera, filho de ipiauense tem paternidade reconhecida pela Justiça: ‘Nunca perdi a fé’”

Após 28 anos de espera, filho de ipiauense tem paternidade reconhecida pela Justiça: ‘Nunca perdi a fé’”

por suporte
Adilson Reis Arcanjo enfrentou quase três décadas de dor, rejeição e silêncio da família paterna até conquistar na Justiça o direito de ter o nome do pai na certidão de nascimento.

Após uma batalha judicial que durou quase três décadas, Adilson Reis Arcanjo, filho natural de Ipiaú, teve sua paternidade biológica oficialmente reconhecida pela Justiça. A decisão histórica foi proferida pela 1ª Vara Cível da Comarca de Ipiaú e encerra um processo iniciado ainda na década de 1990.

Adilson buscava o reconhecimento de que era filho de Antônio Santos Sampaio, já falecido. Durante anos, lutou para corrigir o registro de nascimento que atribuía sua filiação a outro homem. “Até os 16 anos de idade eu não tinha o sobrenome de um pai. Eu sofria bullying no colégio. A professora perguntava meu nome completo esperando ouvir o sobrenome do meu pai, mas eu só tinha o da minha mãe. Isso mexia muito comigo.”

No dia 24 de abril, Adilson procurou a reportagem do Ipiaú TV para compartilhar sua história marcada por dor, resistência e fé inabalável. Ele revelou que cresceu acreditando que seu pai havia morrido, até que, aos 16 anos, uma tia lhe contou a verdade: seu pai biológico estava vivo.

Adilson e sua mãe .

“Foi então que começou uma jornada marcada por portas fechadas, olhares desviados e o peso de não pertencer. Tentei contato várias vezes, mas fui rejeitado em todas. Inclusive pelos meus irmãos.” Apesar das negativas, Adilson nunca perdeu a esperança: “Eu só queria uma coisa simples: um exame para esclarecer tudo.”

Durante o processo, a Justiça determinou diversas vezes a realização de exames de DNA com os filhos de Antônio Santos Sampaio, mas todos se recusaram a colaborar. Com base no artigo 2º-A da Lei nº 8.560/1992 — que prevê a presunção de paternidade em caso de recusa injustificada —, o juiz declarou Antônio Santos Sampaio como pai biológico de Adilson. A sentença determinou ainda a inclusão dos nomes dos avós paternos na certidão de nascimento.

Além do reconhecimento da paternidade, os réus — filhos do falecido — foram condenados ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios.

Emocionado, Adilson agradeceu publicamente:
“Quero agradecer à Justiça. Depois de tanto tempo, eu acreditei. A Justiça tarda, mas a de Deus nunca falha. Espero que essa minha história inspire outras pessoas. Que ninguém desista, porque ainda existe Justiça no nosso país. Existem profissionais comprometidos em fazer o que é certo. Que nenhum processo leve tanto tempo quanto o meu. A ciência está aí para isso: para ajudar e não permitir que alguém sofra tanto quanto eu sofri.”

Adilson também fez um apelo emocionado à família paterna:
“Se algum parente quiser se aproximar — um sobrinho, quem for — eu vou ficar muito feliz. Estou de coração aberto. Eu só queria meu direito, e agora, mais do que nunca, estou disposto ao diálogo.”

Ele ainda refletiu sobre a importância do reconhecimento paterno:
“Muitos filhos não têm o sobrenome do pai, e muitas mães acham que isso não importa. Mas importa sim. O sobrenome do pai é tudo. É a força do homem. É o nome que levamos para os nossos filhos.”

O caso de Adilson não é apenas uma vitória pessoal, mas um poderoso exemplo de persistência e de que lutar por seus direitos vale a pena — mesmo quando a espera parece interminável.

Nota da redação: Esta publicação foi realizada a partir do relato pessoal e autorizado de Adilson Reis Arcanjo, parte legítima na ação, que optou por compartilhar sua história com o objetivo de inspirar outras pessoas que enfrentam situações semelhantes. A matéria preserva dados sensíveis de outras partes envolvidas, em respeito ao segredo de Justiça.

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