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Covid e outros vírus respiratórios avançam na Bahia; Fiocruz aponta aumento de casos graves

por Alisson Calazans
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Covid e outros vírus respiratórios avançam na Bahia; Fiocruz aponta aumento de casos graves Crédito: Shutterstock

A Bahia está entre os estados que registram aumento de casos graves provocados por vírus respiratórios. Um novo boletim da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificou crescimento da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associada ao metapneumovírus no estado. O levantamento também aponta avanço nacional de casos graves de Covid-19 e rinovírus, em um cenário que exige atenção principalmente à saúde de crianças pequenas e idosos.

A análise considera a Semana Epidemiológica 43, correspondente ao período de 25 a 31 de outubro. Segundo o InfoGripe, o crescimento dos casos de SRAG por metapneumovírus ocorre principalmente em estados do Sudeste, Sul e Nordeste. Além da Bahia, aparecem na lista Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Sergipe.

No caso da Covid-19, há sinais de aumento dos casos graves em Mato Grosso, Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Apesar da tendência de crescimento, a incidência de SRAG provocada pelo coronavírus permanece em níveis muito baixos nas quatro últimas unidades da Federação citadas, com exceção de Mato Grosso.

No estado mato-grossense, o aumento das ocorrências de SRAG tem sido impulsionado principalmente pelo SARS-CoV-2. Já em Mato Grosso do Sul, a elevação está associada a um leve crescimento dos casos provocados pelo rinovírus.

Rinovírus é destaque entre crianças pequenas

O boletim aponta que a incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave é mais elevada entre crianças pequenas, especialmente aquelas com até 2 anos. Nessa faixa etária, os casos estão associados principalmente ao rinovírus, ao vírus sincicial respiratório (VSR) e ao metapneumovírus.

O rinovírus também aparece como principal causa de mortalidade entre as crianças pequenas. Já entre os idosos, a partir dos 65 anos, o impacto é maior quando se considera o número de mortes por SRAG.

A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz, responsável pela produção do InfoGripe, reforça a importância da vacinação contra a Covid-19 para evitar complicações e mortes. “A principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos por Covid-19 é a vacinação, por isso é essencial que as pessoas dos grupos prioritários estejam em dia com a vacina contra o vírus”, alerta.

Covid-19 representa 8,5% dos casos graves positivos

Nas quatro semanas epidemiológicas mais recentes analisadas, o rinovírus respondeu por 50,1% dos resultados positivos para vírus respiratórios entre os casos de SRAG. O SARS-CoV-2, causador da Covid-19, apareceu em 8,5% dos exames positivos. O levantamento também identificou influenza A (4,2%), influenza B (4,7%) e vírus sincicial respiratório (10,1%).

Entre os óbitos de pacientes com resultado positivo para vírus respiratórios no mesmo período, o SARS-CoV-2 esteve presente em 24,1% dos registros. O rinovírus apareceu em 43%, seguido pela influenza B (12,7%), pelo VSR (3,8%) e pela influenza A (1,3%). Os percentuais indicam a participação de cada vírus entre os registros positivos analisados, e não o risco de morte de uma pessoa infectada por cada agente.

Mais de 171 mil casos de SRAG foram notificados em 2026

No ano epidemiológico de 2026, já foram notificados 171.369 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave no Brasil. Desse total, 91.420 (53,3%) tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, enquanto 62.823 (36,7%) apresentaram resultado negativo. Outros 7.457 (4,4%) aguardavam resultado laboratorial.

Entre os casos positivos, o vírus sincicial respiratório respondeu por 38,7% das identificações, seguido pelo rinovírus, com 33,5%. A influenza A representou 15,5%, a influenza B, 5,5%, e o SARS-CoV-2, 3,9%.

Aracaju e João Pessoa apresentam sinais de alerta

O levantamento também identificou duas capitais com nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas analisadas, além de tendência de crescimento no período de seis semanas: Aracaju, em Sergipe, e João Pessoa, na Paraíba. Outras três unidades da Federação — Roraima, Sergipe e Santa Catarina — apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, mas sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo.

A Fiocruz ressalta que os indicadores de incidência e mortalidade consideram as oito semanas epidemiológicas mais recentes e, por isso, ainda podem sofrer alterações.

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