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Os votos dos deputados e o teste de força dos vereadores mais votados de Ipiaú

por Alisson Calazans
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Eleição de 2026 oferece um interessante termômetro sobre a capacidade de articulação de Edson da Star Vídeo, San de Paulista e Mônica Souza Fotomontagem : Ipiaú TV

A eleição de 2026 deixou, além dos resultados para deputado, um interessante capítulo para a política municipal de Ipiaú. Os três vereadores mais votados nas eleições de 2024 — Edson da Star Vídeo, San de Paulista e Mônica Souza — tiveram seus apoios colocados diante das urnas e, inevitavelmente, os números passaram a ser observados como um possível termômetro da força política de cada um.

É importante fazer uma ressalva: não existe transferência automática de votos de um vereador para um deputado. O eleitor é livre para escolher seus candidatos e uma votação expressiva de um parlamentar não pode ser atribuída exclusivamente a um único apoiador. Ainda assim, quando determinados nomes assumem publicamente uma candidatura, trabalham por ela e conseguem uma votação relevante, os números passam a compor a leitura do cenário político local.

Deputado federal Ditinho Avivip e deputado estadual Sandro Régis foram os nomes apoiados pelo presidente da Câmara, que chegou às urnas de 2024 como o vereador mais votado de Ipiaú. Créditos TSE

Edson da Star Vídeo foi o vereador mais votado de Ipiaú em 2024, com 1.142 votos. Presidente da Câmara Municipal, entrou na eleição de 2026 apoiando Ditinho Avivip, para deputado federal, e Sandro Régis, para deputado estadual.

Ditinho Avivip terminou com 564 votos em Ipiaú, enquanto Sandro Régis alcançou 3.325 votos.

San de Paulista, segundo vereador mais votado em 2024, recebeu 1.055 votos. Na disputa deste ano, apoiou Léo Prates para deputado federal, que obteve 699 votos, e também esteve ao lado de Sandro Régis para deputado estadual.

E aqui está um dos pontos mais interessantes da matemática política.

Edson e San, embora sejam duas forças distintas dentro da Câmara, caminharam juntos na escolha para deputado estadual. Sandro Régis, porém, não teve apenas os dois vereadores em sua base. O deputado também contou com o apoio do vereador Robson e de setores da oposição municipal liderados por Alipinho da Doce Mel.

O vereador San de Paulista apostou em Léo Prates para deputado federal e também caminhou com Sandro Régis para deputado estadual na eleição de 2026. Créditos TSE

Portanto, seria precipitado colocar os 3.325 votos de Sandro Régis exclusivamente na conta de Edson e San. Mas também seria equivocado ignorar que os dois vereadores mais votados de Ipiaú estiveram entre seus apoiadores.

Na eleição para deputado federal, a fotografia fica um pouco mais individualizada.

Edson apostou em Ditinho Avivip, que chegou aos 564 votos. San escolheu Léo Prates, que alcançou 699 votos.

A comparação, entretanto, precisa considerar que candidaturas proporcionais são construídas por diferentes grupos, lideranças, partidos e relações políticas. Portanto, os números funcionam mais como indicadores de influência do que como uma prestação de contas eleitoral individual.

Mônica apresenta outro cenário

A vereadora Mônica Souza apoiou Jorge Solla para deputado federal e Rowenna Brito para deputada estadual, ambos do campo político do PT. Créditos TSE

A vereadora Mônica Souza, terceira mais votada em 2024, com 960 votos, apresentou uma estratégia diferente.

Para deputado federal, apoiou Jorge Solla, que alcançou 1.166 votos em Ipiaú. O resultado chama atenção porque o deputado terminou com uma votação superior àquela obtida pela própria vereadora dois anos antes.

Mas há outro detalhe importante: Jorge Solla também contou com o apoio do vice-prefeito Orlando Santos, o que amplia a composição política responsável pelo resultado.

Para deputada estadual, Mônica apoiou Rowenna Brito, que obteve 901 votos.

Nesse caso, a comparação numérica chama ainda mais atenção: os 901 votos de Rowenna ficaram muito próximos dos 960 votos conquistados por Mônica nas eleições municipais de 2024.

Não significa que os 960 eleitores da vereadora tenham votado em Rowenna. Mas, politicamente, é um número que merece ser observado.

Mais do que deputados, uma disputa por espaço

A leitura mais interessante dessa eleição talvez não esteja em perguntar simplesmente “quem deu mais votos ao deputado?”.

A questão é outra: quem conseguiu demonstrar maior capacidade de articulação política?

Edson chega ao pós-eleição como presidente da Câmara e como o vereador mais votado de 2024. San mantém seu espaço como segundo vereador mais votado e divide com Edson a construção política em torno de Sandro Régis. Mônica, por sua vez, mostrou que possui uma base eleitoral capaz de produzir votações expressivas para candidatos do seu campo político.

Os três, portanto, saem das urnas com ativos políticos diferentes.

E existe um detalhe que não pode ser ignorado: a eleição de 2026 acontece no meio do caminho para 2028.

Os vereadores ainda terão tempo para ampliar suas bases, construir novas alianças e disputar espaços dentro de seus respectivos grupos. O resultado desta eleição não define uma eventual candidatura majoritária, tampouco determina quem terá mais força daqui a dois anos.

Mas oferece uma fotografia.

E fotografia política, quando analisada com cuidado, costuma revelar muito mais do que aparenta.

A verdadeira disputa pode estar em 2028

Se 2024 mostrou quem tinha força para conquistar uma cadeira na Câmara, 2026 começou a mostrar quem possui capacidade de extrapolar os limites da eleição municipal.

Edson, San e Mônica tiveram seus nomes e seus grupos submetidos a um novo teste eleitoral. Cada um escolheu caminhos diferentes, alguns candidatos foram compartilhados e outros receberam apoios adicionais.

Agora, os números estão sobre a mesa.

A política de Ipiaú, porém, raramente termina onde termina a eleição.

Os próximos movimentos — aproximações, afastamentos, novos apoios, emendas parlamentares, presença dos deputados no município e, principalmente, a capacidade de cada liderança de manter sua base mobilizada — serão fundamentais para saber quem realmente saiu fortalecido.

Porque, no fim, voto de deputado pode ser um número. Força política é a capacidade de transformar esse número em grupo, presença e futuro eleitoral.

E, em Ipiaú, a corrida por esse espaço já começou.

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