
SALVADOR — O vereador Sandro Filho (PP) alcançou um marco histórico na política baiana neste domingo (4). Com 96% das urnas apuradas na Bahia, o parlamentar de 21 anos assegurou uma vaga na Câmara dos Deputados ao conquistar 164.396 votos. O resultado o consagra como o deputado federal mais jovem já eleito pela população baiana.
Com a eleição, o parlamentar desbanca o recorde que até então pertencia ao ex-deputado federal Uldurico Júnior, eleito aos 22 anos com 39 mil votos.
De Coutos ao Congresso Nacional
Criado no bairro de Coutos, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, Sandro Filho ingressou na política institucional há apenas dois anos. Em 2024, foi eleito para a Câmara Municipal de Salvador (CMS) com 12.565 votos. Na ocasião, projetou-se como a principal liderança do Movimento Brasil Livre (MBL) na Bahia, apresentando-se publicamente como “cristão, guiado por Deus”.
Durante a passagem pela Casa Legislativa soteropolitana, integrou a base de apoio do prefeito Bruno Reis (União Brasil) e consolidou-se como um dos principais opositores ao governo de Jerônimo Rodrigues (PT), acumulando forte apelo e engajamento em plataformas digitais.
Paralelamente aos embates políticos, destacou-se pela produtividade no Plenário: segundo o ranking de proposições da CMS, Sandro Filho liderou o volume de iniciativas registradas no sistema legislativo ao longo do mandato, superando os demais 42 vereadores da capital.
Controvérsias e desligamento do MBL
A trajetória ascendente, contudo, foi acompanhada de turbulências políticas. No final de 2025, o parlamentar foi expulso do MBL após o surgimento de denúncias de nepotismo e irregularidades financeiras.
O anúncio do desligamento foi feito publicamente pelo fundador do grupo, Renan Santos, durante transmissão ao vivo no YouTube. A investigação interna começou a partir de denúncias de que Sandro Filho teria indicado a esposa, Mariana Silva Vasques, para um cargo na Prefeitura de Salvador — ato que, embora sem vedação legal expressa, violava as diretrizes de conduta exigidas pelo movimento.
Durante a apuração, os dirigentes constataram ainda que a esposa do vereador mantinha sociedade em um estabelecimento comercial no bairro do Rio Vermelho com João Paulo Andrade de Lisboa Brito, ex-servidor da CMS e investigado por suposto envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro.
À época do episódio, Sandro Filho negou qualquer conduta ilícita e declarou ser vítima de perseguição movida por “articulações de pessoas ruins”.
Mesmo sob o desgaste gerado pela polêmica e pela quebra de laços com a cúpula do movimento que o projetou, a expressiva votação deste domingo confirma a consolidação de sua base eleitoral, transferindo-o do legislativo municipal para representar a Bahia na Câmara dos Deputados, em Brasília.
