
A probabilidade de um fenômeno El Niño de intensidade severa atingir o Hemisfério Sul durante a primavera e o verão ultrapassou a marca de 90%. A confirmação vem de uma nova atualização do Centro de Previsão Climática da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA). Além disso, os meteorologistas alertam que há 75% de chance de este evento se tornar o mais intenso já monitorado desde o início dos registros modernos, em 1950.
O processo de aquecimento das águas do Oceano Pacífico apresentou uma aceleração atípica e rápida ao longo do ano. Com o encerramento oficial do La Niña no mês de abril, as condições para a formação do El Niño ganharam força gradativa até a sua consolidação em junho. No mês de agosto, a anomalia térmica na superfície do mar no Pacífico Equatorial Leste superou a marca crítica de 3 °C acima da média, consolidando o caráter extraordinário do fenômeno.
Os impactos diretos sobre o território brasileiro exigem atenção dos setores produtivos e governamentais. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o El Niño severo tende a provocar estiagem prolongada e chuvas substancialmente abaixo da média nas regiões Norte e Nordeste. O cenário pode acarretar a diminuição dos níveis dos rios, prejudicando o abastecimento de água potável, a navegação hidroviária e a atividade pesqueira local.
Por outro lado, a Região Sul enfrenta a projeção oposta, com probabilidade de precipitações volumosas, tempestades recorrentes e alto risco de enchentes. Nas demais áreas do país, a tendência é de elevação acentuada das temperaturas médias, com reflexos diretos na disponibilidade hídrica e no calendário agrícola. *Redação Ipiaú TV*
