
A execução dos serviços de limpeza urbana, coleta e transporte de resíduos sólidos em Ipiaú, atualmente sob responsabilidade da empresa Meta Ambiental Serviços de Limpeza Urbana Ltda, tem sido alvo de críticas e questionamentos por parte da população, especialmente após a adoção de uma nova dinâmica operacional que impactou diretamente a rotina da coleta em diversos bairros do município.
De acordo com informações apuradas pela reportagem da Ipiaú TV, a empresa passou a adotar um controle rígido de jornada por meio de relógio de ponto, com definição de horários fixos de início e encerramento das atividades, sem pagamento de horas extras. Na prática, os trabalhadores deixam a garagem por volta das 6h30, interrompem as atividades às 11h, retornam às 13h e encerram a jornada às 15h20, quando precisam retornar à garagem para registro do ponto.
Segundo relatos colhidos pela reportagem, quando o horário limite é atingido, a coleta é imediatamente interrompida, mesmo que os roteiros não tenham sido concluídos. Essa situação foi registrada nesta quarta-feira (14), quando bairros como Aparecida, Antônio Lourenço e Sítio do Pica-pau tiveram a coleta realizada apenas de forma parcial, resultando no acúmulo de resíduos nas vias públicas.
Ainda conforme informações obtidas, a empresa não realiza pagamento de horas extras desde o início de suas atividades no município, diferentemente do que ocorria com a empresa anterior, Transloc Construtora e Transportes Eireli, que remunerava serviços prestados em horários excedentes, feriados e domingos, incluindo gratificações específicas.
Outro ponto que chamou atenção foi a utilização de um fiscal da empresa para conduzir um caminhão de coleta, com o objetivo de evitar a interrupção do serviço no bairro Irmã Dulce. Embora o funcionário seja habilitado para dirigir veículos pesados, ele não exerce formalmente a função de motorista, situação que, segundo especialistas ouvidos pela reportagem, pode caracterizar possível desvio de função, a depender da análise contratual e trabalhista.
A Ipiaú TV recebeu diversas reclamações e imagens enviadas por moradores, que relatam transtornos recorrentes e classificam o cenário como preocupante. Na terça-feira (13), parte dos serviços chegou a ser paralisada após trabalhadores protestarem contra atrasos salariais. Na ocasião, a Meta Ambiental divulgou nota afirmando ser “uma empresa séria e que arca com seus compromissos”, além de declarar que a Prefeitura Municipal de Ipiaú “falta com a verdade e transparência em sua administração”. Ainda no mesmo dia, a empresa informou que os contracheques estavam sendo lançados para pagamento dos colaboradores.
O contrato firmado entre o município e a Meta Ambiental tem valor global de R$ 8.967.096,77, montante superior ao contrato anterior. A comparação entre os valores e a execução dos serviços tem sido objeto de questionamentos por parte da população, que cobra maior eficiência, regularidade e organização operacional.
No último domingo (11), não houve coleta de lixo em algumas localidades. Na terça-feira (13), ocorreu a paralisação parcial, e nesta quarta-feira (14), a coleta novamente não foi concluída em sua totalidade, reforçando o clima de insatisfação popular. Moradores relatam prejuízos à saúde pública e à imagem da cidade, especialmente diante do acúmulo de resíduos.
Diante do cenário, cresce a cobrança para que a Meta Ambiental reveja sua organização operacional, ajuste escalas e logística de trabalho e adote medidas que assegurem a realização da coleta de lixo de forma completa em todos os bairros de Ipiaú, garantindo a continuidade e a eficiência de um serviço considerado essencial à população. * Redação Ipiaú TV