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Polícia desarticula facções em Jequié com prisão de traficante do PCC

por suporte
Paulo TG, Real e Nonon são traficantes de Jequié — Crédito: Reprodução

A recente prisão de Juca, traficante do Primeiro Comando da Capital (PCC) com atuação em Jequié, representa mais um desdobramento da intensa disputa entre facções criminosas pelo controle do tráfico de drogas no sudoeste baiano. Capturado pela Polícia Federal (PF) em Santa Catarina na última quinta-feira (6), Juca integra um esquema violento que tem aterrorizado moradores e provocado uma escalada de homicídios na região. A investigação indica que sua detenção faz parte de uma estratégia mais ampla das forças de segurança para desarticular lideranças do crime organizado.

Paulo TG e Real foram presos fora da Bahia — Crédito: Reprodução

A disputa entre o PCC e o Comando Vermelho (CV), conhecidos localmente como ‘Tudo3’ e ‘Tudo2’, respectivamente, vem se intensificando na última década. Embora a presença dessas organizações já fosse sentida desde 2016, foi a partir de 2022 que Jequié se tornou a cidade mais violenta do Brasil, conforme o anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que registrou uma alarmante taxa de 88,8 assassinatos por 100 mil habitantes.

Nonon, que saiu do CV para o PCC, integrou o Baralho do Crime — Crédito: Reprodução

Segundo fontes policiais, a intensificação dos confrontos está diretamente ligada à liberdade de lideranças criminosas que, mesmo foragidas, seguiam ordenando execuções e invasões a territórios rivais. A situação era mais controlada quando Paulo TG (PCC) e Real (CV) estavam presos sob regime disciplinar diferenciado em Serrinha, dificultando sua comunicação com subordinados. Entretanto, a dinâmica mudou quando novos grupos emergiram, como a Tropa do Pão, liderada por Pônei e Dinho Beição, o que ampliou ainda mais o cenário de violência.

A Tropa do Pão rapidamente se tornou alvo da polícia, levando à prisão de Dinho Beição em Salvador. Sua execução dentro do presídio, ordenada por Real, desencadeou uma reconfiguração das alianças criminosas. Com a morte de Dinho, Pônei se aliou ao PCC, enquanto Nonon, outro traficante influente, deixou o CV para aderir ao Tudo3. Essa mudança transformou o bairro Joaquim Romão no epicentro da guerra, com facções disputando cada rua.

Suspeito liderava uma facção com atuação em cidades na região sul da Bahia | Bnews – Divulgação Reprodução | Redes Sociais

O clima de guerra em Jequié se reflete também no uso de tecnologia pelos criminosos. Câmeras de monitoramento instaladas pelo Comando Vermelho foram apreendidas pela Polícia Civil, evidenciando a sofisticação das estratégias de controle territorial. O governo estadual tem reconhecido a gravidade da situação. O governador Jerônimo Rodrigues mencionou a violência em Jequié e Eunápolis como uma das grandes preocupações da segurança pública na Bahia.

As recentes operações da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) resultaram na captura de lideranças fora do estado, o que pode impactar o cenário de violência na região. Contudo, especialistas alertam que a prisão de chefes do crime não garante, por si só, a pacificação da cidade. A instalação de uma Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE) em Jequié visa intensificar o combate ao tráfico, buscando frear a expansão das facções e reduzir os níveis de violência que assolam a população local.

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