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Prefeitura de Ipiaú Precisa Implantar Urgentemente Novas Diretrizes para o Plano de Mobilidade Urbana, Sob Pena de Improbidade Administrativa

por suporte

Lembra o urbanista ipiauense, arquiteto Elson Andrade, que traz nesta edição uma proposta ousada e inteligente de diretrizes necessárias e obrigatórias para o Plano de Mobilidade Urbana de Ipiaú. Confira!

O que é um Plano de Mobilidade Urbana?

Um Plano de Mobilidade Urbana é um documento estratégico que orienta o desenvolvimento da infraestrutura de transporte e mobilidade de uma cidade. Seu objetivo principal é promover e orientar de forma estratégica um sistema de transporte eficiente, sustentável e acessível para todos os cidadãos, priorizando todos os modais de transporte, em especial os coletivos, inclusive os não motorizados, com o objetivo maior da integração harmônica dos diferentes meios de transporte, públicos e privados, sempre em favor do interesse público.

Principais Objetivos:Eficiência: Otimizar o fluxo de veículos, pessoas e bens, reduzir/evitar os congestionamentos e tempos de viagem.
Sustentabilidade: Promover o uso de meios de transporte menos poluentes, como o de pedestre, de bicicletas e o transporte público.
Acessibilidade: Garantir que todos os cidadãos, independentemente de sua condição física ou econômica, tenham acesso a diversas opções de mobilidade.
Segurança: Reduzir o número de acidentes de trânsito e promover um ambiente seguro para pedestres e ciclistas.
Integração: Facilitar a integração entre diferentes modos de transporte, como ônibus, metrô, trens e ciclovias.
Otimização dos Recursos: Seja ambientais e/ou econômicos, a fim de promover o equilíbrio sustentável e equitativo de todos os agentes econômicos e ambientais.

Categorias de Municípios Obrigados a Elaborar o seu Plano de Mobilidade Urbana:

No Brasil, de acordo com a Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei nº 12.587/2012), são obrigados (sob pena de incorrer em improbidade administrativa) à elaboração e implantação de seu Plano de Mobilidade Urbana:

  1. Municípios com mais de 20.000 habitantes: Todos os municípios com população superior a 20 mil habitantes devem desenvolver um plano de mobilidade, considerando as necessidades locais e a integração com as regiões metropolitanas.
  2. Municípios integrantes de regiões metropolitanas e aglomerações urbanas: Mesmo que tenham menos de 20 mil habitantes, esses municípios precisam elaborar o plano para garantir a integração e a eficiência do sistema de transporte na região.
  3. Municípios de interesse turístico: Cidades que recebem grande fluxo de turistas devem elaborar o plano para atender à demanda específica e garantir a mobilidade dos visitantes.

Conteúdo de um Plano de Mobilidade Urbana:

Um Plano de Mobilidade Urbana deve incluir, no mínimo: • Levantamento multimodal e consequente diagnóstico da situação atual de mobilidade (inclusive os deslocamentos a pé).
• Diretrizes para a ampliação e melhoria do transporte público.
• Planejamento da infraestrutura cicloviária (motorizada ou não) e para pedestres.
• Criação de vagas de estacionamento e áreas exclusivas para pedestres.
• Políticas de estacionamento e gestão da demanda por transporte individual.
• Distribuição dos polos de atração de veículos nos diversos espaços urbanos.
• Incentivo ao uso de tecnologias alternativas, sustentáveis e inovadoras.
• Estratégias para financiamento e implementação das ações propostas.

O Plano de Mobilidade Urbana é uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento ordenado das cidades e para a eficiência e melhoria da qualidade de vida de seus cidadãos. Através dele, é possível planejar e implementar um sistema de transporte mais eficiente, seguro, econômico e ambientalmente sustentável.

O verdadeiro desenvolvimento socioeconômico de Ipiaú passa necessariamente pelo investimento pesado na reforma da infraestrutura viária e a consequente remodelação da malha urbana, com a redefinição dos principais fluxos do trânsito, seja na expansão e/ou reorganização do sistema de transporte e da mobilidade existente na cidade.

Os gestores públicos precisam entender que a economia de Ipiaú, depois da derrocada da lavoura cacaueira, vem definhando relativamente, se comparada à média nacional e até mesmo à da microrregião. Itagibá, por exemplo, já ultrapassou Ipiaú e tem o PIB municipal duas vezes maior que o de Ipiaú.

Fonte: Gaged do MTE governo federal

E hoje, já é público e notório que o comércio e os serviços de Ipiaú são os maiores geradores de emprego e renda da nossa cidade. Logo, reestruturar os centros comerciais (não apenas o da 02 de Julho, mas também o Sapo, Cinquentenário, Praça dos Cometas…) para que funcionem melhor trará, sim, retorno econômico imediato a todos (público e privado).

Nessa visão estratégica, é preciso reclassificar a função das calçadas comerciais e oferecer vagas de estacionamento adequadas, correspondentes ao bom funcionamento e atendimento às demandas do nosso comércio e serviços.

É inadmissível que, com um código de obras e uma lei de zoneamento, Ipiaú permita que bancões forasteiros, no centro da cidade, tenham estacionamento, mas não o ofereçam aos seus clientes. O poder público precisa endurecer. Se não resolverem colaborar com a cidade… embargue-se.

Já passou da hora de aliviar a passagem obrigatória do trânsito estrutural de veículos da cidade, passando pela 02 de Julho. É preciso um projeto ambicioso, com uma ambientação paisagística, arborização, passagem subterrânea da rede elétrica, criação de quiosques, parklets e outras inovações capazes de criar um ambiente de shopping center a céu aberto na 02 de Julho e imediações. Tudo condizente com a ambição de Ipiaú ser capaz de viabilizar um centro comercial microrregional, mesmo que tudo seja executado em fases estratégicas e contínuas.

Reprodução: Fecomécio SP

Ipiaú tem vocação e geolocalização natural privilegiada para ser um importante centro comercial e de serviços, em especial nas áreas de saúde particular e educação universitária estatal. Portanto, Ipiaú precisa, rapidamente, levantar, diagnosticar, repensar e reestruturar para, enfim, equacionar e resolver os pontos importantes a serem mudados para melhor.

Uma das propostas inteligentes, inovadoras, ousadas e de vanguarda é a implantação do transporte público gratuito. Inicialmente, para determinados públicos mais vulneráveis, e depois, na medida do possível, expandir para todos, com o objetivo estratégico de reduzir a quantidade de veículos no centro da cidade.

Ao invés de dar subsídio aos empresários diretamente, a ideia do transporte público gratuito pode sim atrair indústrias para a cidade, beneficiando a todos de forma mais direta e equânime. A vereadora eleita em 2024, Mônica Souza, apoia essa ideia e promete lutar veementemente por ela, em benefício da comunhão dos interesses dos trabalhadores e da industrialização da nossa cidade. Parabéns, Mônica. Seja muito bem-vinda como porta-voz da modernidade e do concílio, em prol do real desenvolvimento da cidade.

Tudo vindo do macro para o detalhe. Por exemplo, é preciso criar estratégias para obter do governo federal (dono da BR-330) o desvio desta rodovia, passando por fora da malha urbana, que tem causado muitos acidentes, inclusive fatais. No Plano de Mobilidade, deve-se estabelecer as categorias de vias de circulação (estrutural, arterial, local, de comércio, de lazer, etc.). Quando e onde possível, na condição de poder público local (conforme competência e atribuição constitucional), devemos proibir que a Av. Lauro de Freitas e a Getúlio Vargas sejam utilizadas como rodovia, seja pelo governo estadual ou federal. Às vezes, no caso do poder público, é necessário recorrer à justiça para provocar as partes objetivamente.

Precisamos criar novas áreas para que surjam, naturalmente, condomínios horizontais e novos centros comerciais, mais afastados do antigo centro da cidade. Dessa forma, quebraremos a lógica dos preços exorbitantes praticados no comércio de imóveis, através da especulação imobiliária corrente, e, inclusive, desestressaremos os preços e o intenso movimento de veículos nas áreas mais centrais, antigas, estreitas e desordenadas da velha Ipiaú. Só esse fato já criará milhares de empregos e renda na cidade. Lembrando que os ipiauenses têm centenas de milhares de reais aplicados na caderneta de poupança e CDBs nos bancos locais, os quais carreiam essa grana para fora do município em especulações financeiras, em especial, na obtenção fácil de juros da dívida pública federal.

Desvio esquemático BR-330

Outra ideia, um tanto óbvia, é transferir o SAC do centro da cidade, inclusive as secretarias municipais (hoje situadas em casas alugadas), para o complexo da Rodoviária, reformando-o e readequando-o a um novo Polo Complexo de Serviços Públicos. Isso porque a cidade deve melhor aproveitar a infraestrutura urbana lindeira, adensar e, inclusive, aproveitar a vantagem de já ter moradias estabelecidas nas imediações, gerando emprego e renda para a classe trabalhadora do ACM.

É mister que tenhamos o Mini Anel Viário Urbano passando pelo alargamento (enquanto é tempo) da Av. Benedito Lessa, incluindo a drenagem e o reforço estrutural do subleito do pavimento. Além disso, é necessário prever o acesso ao Parque da Cidade Álvaro Jardim.

Reprodução: Google Earth Proposta do Mini Anel Viário

Outra ideia, um tanto óbvia, é transferir o SAC do centro da cidade, inclusive as secretarias municipais (hoje situadas em casas alugadas), para o complexo da Rodoviária, reformando-o e readequando-o a um novo Polo Complexo de Serviços Públicos. Isso porque a cidade deve melhor aproveitar a infraestrutura urbana lindeira, adensar e, inclusive, aproveitar a vantagem de já ter moradias estabelecidas nas imediações, gerando emprego e renda para a classe trabalhadora do ACM.

É mister que tenhamos o Mini Anel Viário Urbano passando pelo alargamento (enquanto é tempo) da Av. Benedito Lessa, incluindo a drenagem e o reforço estrutural do subleito do pavimento. Além disso, é necessário prever o acesso ao Parque da Cidade Álvaro Jardim.

Reprodução: Google Earth

Desapropriação do antigo posto de combustível, no meio da Praça dos Cometas, criando ali uma rotatória com obelisco central, que possa dispensar o semáforo (grande causador de engarrafamentos naquele cruzamento mal resolvido). Quem vem da Lauro de Freitas para o centro já pega a Alfredo Brito e, na sequência, a Siqueira Campos, para seguir diretamente à BR-330, sem passar pela Floriano Peixoto e pela 02 de Julho.

Reprodução: Google Earth

Desapropriação do antigo posto de combustível, no meio da Praça dos Cometas, criando ali uma rotatória com obelisco central, que possa dispensar o semáforo (grande causador de engarrafamentos naquele cruzamento mal resolvido). Quem vem da Lauro de Freitas para o centro já pega a Alfredo Brito e, na sequência, a Siqueira Campos, para seguir diretamente à BR-330, sem passar pela Floriano Peixoto e pela 02 de Julho.

Da redação: Elson Andrade – que é arquiteto, urbanista, empresário desenvolvimentista, pós-graduado pelo Instituto de Economia da Unicamp.

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