
A cidade de Ipiaú, no sul da Bahia, com uma população estimada pelo IBGE em 42.507 habitantes em 2024, tem enfrentado uma evolução preocupante no número de homicídios nos últimos anos. Embora o município tenha experimentado variações ao longo das décadas, alguns padrões podem ser observados, com picos de violência e quedas em determinados períodos.
Em 1989, no início da crise causada pela Vassoura de Bruxa, segundo o TCU, Ipiaú ainda tinha cerca de 51,5 mil habitantes e registrou 13 homicídios, um número alarmante que já representava um desafio para a segurança pública local. Nos anos seguintes, em 1994, por exemplo, houve uma elevação significativa, com o registro de 16 homicídios. Essa marca, no entanto, não se manteve. Em 2017, a cidade registrou um número estratosférico, alcançando 42 homicídios. Diante desse cenário, muitas pessoas deixaram o município por medo e descrença, devido ao caos instalado.
Durante a década de 1990 e o início dos anos 2000, os números oscilaram de forma significativa. Em 1997, por exemplo, a cidade teve apenas um homicídio (o que pode ter sido um erro de registro), sendo o menor número já documentado no período analisado. Em contrapartida, em 2005, Ipiaú enfrentou um pico de 17 homicídios, o maior até então. Esse aumento foi seguido por uma variação nos anos seguintes, oscilando entre 6 e 16 homicídios por ano até 2014.
A partir de 2015, a situação começou a se agravar de forma mais expressiva. O governo de Deraldino, aliado à promiscuidade da Câmara Municipal daquela época, deixou muito a desejar em diversas áreas. Consequentemente, o município registrou um salto significativo nos homicídios, com 24 ocorrências naquele ano. Em 2016, o cenário se agravou ainda mais, chegando a 33 homicídios, um dos maiores números da história recente da cidade. O ano seguinte (2017) foi ainda mais crítico, com 42 homicídios – um recorde absoluto para Ipiaú. Um nível de violência nunca antes visto na história da empobrecida e saqueada cidade.
Após essa escalada preocupante, houve uma redução nos números em 2018 (22 homicídios) e 2019 (23 homicídios), mas a violência continuou sendo uma preocupação constante. Os anos de 2020 e 2021 mantiveram-se relativamente estáveis, com 19 homicídios registrados em cada um. No entanto, 2022 voltou a apresentar um crescimento, com 24 homicídios. O ano de 2025 promete ser ainda mais violento, devido à baixa capacidade de investimento da prefeitura local, que enfrenta um déficit descomunal herdado da gestão anterior. Esse rombo financeiro ainda está sob investigação da Câmara, do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) e do Ministério Público (MP).
Índice de Homicídios: Ipiaú Versus a Média Estadual e Outras Localidades
Para compreender melhor a gravidade dos índices de homicídios em Ipiaú, é interessante compará-los com os de outras regiões do Brasil. Considerando o número de homicídios por 100 mil habitantes, temos os seguintes dados:
Ipiaú (2022):
- População: 42.507 habitantes
- Homicídios: 24
- Índice de homicídios: 56,5 homicídios por 100 mil habitantes
São Paulo (2022):
- População: 46.289.333 habitantes
- Homicídios: 5.455
- Índice de homicídios: 11,8 homicídios por 100 mil habitantes
Rio de Janeiro (2022):
- População: 17.462.000 habitantes
- Homicídios: 3.761
- Índice de homicídios: 21,5 homicídios por 100 mil habitantes
Ceará (2022):
- População: 9.292.000 habitantes
- Homicídios: 6.485
- Índice de homicídios: 69,8 homicídios por 100 mil habitantes
Embora Ipiaú tenha um índice de homicídios por 100 mil habitantes de 56,5, um número alarmante para uma cidade de seu porte, ele ainda não é o mais alto entre os comparados. O Ceará, por exemplo, apresenta um índice superior (69,8 homicídios por 100 mil habitantes), enquanto São Paulo tem um índice consideravelmente mais baixo (11,8 homicídios por 100 mil habitantes).
Os dados revelam um cenário de crescente preocupação, com tendência de aumento da violência em Ipiaú. Embora o município tenha passado por períodos de relativa estabilidade, a violência tem sido uma constante nas últimas duas décadas, com aumentos notáveis desde 2017.
É fundamental que tanto o município quanto o Estado da Bahia se mobilizem para implementar políticas públicas eficazes e ações voltadas para o real desenvolvimento da cidade. Ao invés de desperdiçar grandes quantias de dinheiro em propagandas pagas na mídia local para mascarar a realidade, é necessário investir em segurança pública, combate às drogas e gestão eficiente dos recursos públicos. O foco deve estar na geração de emprego e renda, permitindo que a cidade volte a viver em paz e segurança.
A comparação dos índices de homicídios por 100 mil habitantes reforça a gravidade da situação de Ipiaú. Apesar de estar em um cenário de violência elevada, ainda há espaço para políticas de mitigação e recuperação social.
Abaixo, o gráfico comparativo do índice de homicídios.

O gráfico acima compara os índices de homicídios por 100 mil habitantes em Ipiaú, São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará no ano de 2022. Como podemos observar, Ipiaú apresenta um índice de 56,5 homicídios por 100 mil habitantes, superior ao de São Paulo (11,8) e do Rio de Janeiro (21,5), mas inferior ao do Ceará (69,8).
Essa comparação visual nos ajuda a compreender melhor a gravidade da violência em Ipiaú, além de situá-la no contexto nacional. Portanto, fica evidente a difícil situação socioeconômica vivida pela população, que assiste diariamente a revelações escandalosas sobre a malversação do dinheiro público. A cidade, dominada por políticos forasteiros sem real compromisso com seu desenvolvimento, segue sem uma gestão capaz de conduzi-la ao progresso necessário. * Redação Ipiaú TV