
Um caroço na barriga ou na virilha pode parecer inofensivo, mas também ser sinal de uma hérnia abdominal. A condição ocorre quando parte de um órgão ou tecido atravessa uma área enfraquecida da parede muscular. Segundo a Sociedade Brasileira de Hérnia (SBH), entre 20% e 25% da população adulta brasileira apresenta algum tipo de hérnia abdominal, o equivalente a cerca de 28 milhões de pessoas.
Embora nem todos os casos sejam graves, algumas situações podem evoluir para complicações que exigem atendimento de emergência. “A hérnia é uma bomba-relógio e pode ser fatal”, alerta o cirurgião do aparelho digestivo dos hospitais São Luiz e Vila Nova Star, Gustavo Patury.
O perigo aumenta quando o conteúdo da hérnia fica preso e o fluxo sanguíneo para a região é comprometido. Essa situação pode provocar danos aos tecidos e ao intestino. Por isso, reconhecer os sinais de alerta e procurar avaliação médica são medidas importantes.
Cinco sinais de hérnia que merecem atenção
- 1. Caroço na barriga ou na virilha
O sinal mais conhecido é uma saliência que pode ficar mais evidente ao tossir, levantar peso ou fazer esforço físico. Mesmo quando não provoca dor, o abaulamento deve ser avaliado por um médico.
- 2. Dor ou desconforto localizado
A hérnia pode causar dor, pressão ou incômodo na região afetada, principalmente durante atividades que aumentam a pressão dentro do abdômen. Em alguns casos, a sensação pode ser confundida com uma dor muscular.
- 3. Aumento da saliência
O volume da hérnia pode aumentar com o tempo. Mudanças no tamanho ou o aparecimento de novos sintomas justificam uma avaliação médica para verificar a evolução do quadro e definir a conduta mais adequada.
- 4. Caroço endurecido que não desaparece
Quando o conteúdo da hérnia fica preso e não retorna à posição habitual, ocorre o encarceramento. Uma saliência endurecida, dolorosa ou sensível exige atendimento médico imediato, sobretudo quando a mudança acontece de repente.
- 5. Dor intensa e vômitos
Dor abdominal forte ou súbita, vômitos e aumento da sensibilidade na região podem indicar estrangulamento da hérnia, complicação em que o fluxo sanguíneo para o tecido fica comprometido. O quadro pode causar danos ao intestino e exige atendimento de emergência.
“Quando o intestino fica preso e perde o suprimento sanguíneo, o quadro pode evoluir rapidamente. Por isso, não se deve esperar que os sintomas desapareçam espontaneamente diante de sinais de complicação”, orienta Patury.
Quais são os tipos de hérnia e como tratar?
As hérnias são classificadas de acordo com a região em que aparecem. Entre os tipos mais comuns estão a inguinal, na virilha; a umbilical, na região do umbigo; a incisional, que surge em locais de cirurgias anteriores; a epigástrica, na parte superior do abdômen; e a femoral, localizada logo abaixo da virilha, na parte superior da coxa. Há também a hérnia de Spiegel, que aparece na lateral do abdômen.
O tratamento depende da localização e do tamanho da hérnia, dos sintomas, do risco de complicações e das condições de
saúde
do paciente. Em situações selecionadas, o médico pode recomendar acompanhamento. A correção definitiva, quando indicada, é cirúrgica, e o procedimento pode ser realizado por via aberta, laparoscópica ou robótica. Em muitos casos, uma tela cirúrgica é utilizada para reforçar a parede abdominal e corrigir o defeito. A escolha da técnica depende das características de cada paciente e da avaliação da equipe especializada.
“As hérnias podem aumentar de tamanho com o tempo, e a definição do tratamento deve considerar fatores como a localização do defeito, os sintomas, o histórico cirúrgico e as condições de cada paciente. Mais importante do que o tamanho da hérnia é avaliar o risco de complicações, como o encarceramento e o estrangulamento do intestino, que podem exigir uma cirurgia de emergência”, explica o cirurgião.
A recomendação é procurar avaliação médica ao perceber uma possível hérnia, mesmo que não haja dor. Se houver dor intensa, vômitos ou uma saliência endurecida e dolorosa, a orientação é buscar atendimento de emergência.
