
A carta escrita por Bianca, de 10 anos, para o policial militar que a resgatou de um sequestro emocionou o agente responsável por perceber seu pedido silencioso de ajuda. Na mensagem, a menina conta que tentou chamar a atenção de várias pessoas, mas foi ignorada até que o PM Willians Alves Dias notou o desespero em seu olhar. As informações são do g1.
“Você foi o único que ligou para mim e viu o medo nos meus olhos”, escreveu a criança, que chamou o policial de “tio” e o descreveu como um anjo que a ajudou a voltar para os braços da mãe. Bianca reencontrou os policiais que participaram do resgate na sede do comando da Polícia Militar, em São Paulo, na sexta-feira (16). Na ocasião, ela entregou uma cesta de presentes ao agente, acompanhada da mãe, Jéssika Ferreira da Silva, pouco mais de uma semana depois de ser resgatada em Praia Grande, no litoral paulista.
O gesto comoveu Willians, que contou ao g1 ter chorado ao ler a mensagem. “Falam que homem não chora, não sei onde inventaram isso. Chorei muito”, disse. Ele afirmou que pretende guardar a carta e a lembrança do reencontro pelo resto da vida. O resgate aconteceu depois que uma equipe da Polícia Militar, que voltava de outra ocorrência, avistou o pai e a filha caminhando sob a chuva. A apreensão da menina chamou a atenção dos agentes, especialmente do cabo Willians Alves.
Durante a abordagem, o policial perguntou à criança se havia algo errado e pediu que ela piscasse caso precisasse de ajuda. Bianca confirmou o pedido com o gesto, permitindo que os policiais identificassem a situação e a resgatassem.
O pai, Wellington Ferreira da Silva, foi preso na madrugada de 7 de outubro. Ele era procurado pela Justiça por suspeita de dopar a ex-companheira e a filha em um hotel de Barueri, agredir a mulher e fugir com a menina. Ele vai responder por sequestro e cárcere privado.
“Um instrumento de Deus”
Na carta, Bianca também agradeceu por ter sido devolvida à mãe e afirmou que o policial foi a única pessoa que conseguiu ajudá-la naquela situação. Willians contou que tem duas filhas, de 11 e 18 anos, e acredita que a experiência como pai contribuiu para que percebesse o medo da criança. Ao comentar o resgate, ele atribuiu o desfecho à fé. “Eu só fui um instrumento de Deus. Eu tenho gratidão por Deus ter me escolhido”, afirmou.
