
Em sabatina realizada pela TV Globo nesta sexta-feira (16), o candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro, afirmou que “não está no radar” a concessão de um cargo governamental para seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — atualmente em prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado. Flávio também descartou a nomeação de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), para o Ministério das Relações Exteriores em um eventual mandato.
“O presidente Bolsonaro nunca tratou de cargo comigo, nunca sugeriu que gostaria de trabalhar no governo”, declarou Flávio durante a entrevista concedida logo após a exibição do Jornal Nacional.
A declaração afasta as especulações de aliados sobre o aproveitamento de Eduardo Bolsonaro no Primeiro Escalão. O ex-deputado, que se mudou para os Estados Unidos, tem atuado junto ao governo de Donald Trump em articulações por sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Mudança de postura sobre a escala 6×1
Questionado sobre sua mudança de posicionamento a respeito do fim da jornada de trabalho na escala 6×1 — medida que anteriormente havia classificado como “oportunista e eleitoreira” —, Flávio justificou ter alterado sua visão após ouvir a população nas ruas.
O candidato explicou que defendia maior liberdade para o trabalhador estruturar sua própria rotina, citando a situação de mães solo retidas por formatos rígidos de trabalho. Contudo, afirmou ter decidido alinhar-se à opinião pública:
- Ouvindo as ruas: “Eu rodei o Brasil inteiro, ouvi muitos trabalhadores. Eu votei conforme o que vi nas ruas.”
- Apoio à maioria: “Como vi que a grande maioria dos trabalhadores estava favorável ao fim da escala 6×1, resolvi seguir a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros.”
Ajuste fiscal e trocas de acusações com a campanha de Lula
Diante dos ataques da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — que sustenta que o plano de contenção de despesas de R$ 250 bilhões proposto pelo PL resultará no fim de programas e garantias sociais —, Flávio assegurou que a responsabilidade fiscal não afetará o orçamento essencial.
O senador prometeu preservar o valor do salário mínimo, o pagamento de aposentadorias e os pisos constitucionais de investimento em saúde e educação, rebatendo as críticas do adversário.
- Rejeição a “terrorismo” eleitoral: “Tem circulado muitas fake news. Meu concorrente está promovendo um verdadeiro terrorismo dizendo que acabaria com as aposentadorias, com os servidores públicos, que eu privatizaria Banco do Brasil, Caixa, Petrobras.”
- Solução econômica: “O maior ajuste fiscal que o Brasil pode fazer é tirar o Lula.”
Tensão sobre o STF e embate na emissora
No bloco dedicado ao Judiciário e às investigações do caso Master, Flávio voltou a direcionar críticas ao ministro Alexandre de Moraes. Ao ser questionado sobre o ministro Kassio Nunes Marques — indicado ao STF durante a gestão de Jair Bolsonaro —, o candidato respondeu de forma pontual que “a lei também vale para ele”.
Durante a sabatina, o postulante do PL tentou comparar repasses de recursos a obras audiovisuais ao patrocínio do banco de Daniel Vorcaro a programas da TV Globo. A menção gerou uma intervenção imediata da jornalista Renata Lo Prete, que destacou que compras de cotas publicitárias por empresas seguem normas de transparência e diretrizes mercadológicas, não se equiparando ao financiamento de produções cinematográficas.
Flávio também citou o desligamento do diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio da Globo, Frederic Kachar, ocorrido na quinta-feira (15) após o vazamento de conversas com o banqueiro, afirmando que o executivo “feriu o código de ética da empresa e sofreu as consequências”.
Cenário eleitoral acirrado e panelaços
O clima antes do programa foi marcado por manifestações. Registros de panelaços contra o candidato do PL foram relatados em diversos bairros das cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo.
A entrevista ocorre um dia após a participação de Lula na série de sabatinas do canal, ocasião em que o atual presidente defendeu a redução da maioridade penal para crimes hediondos, declarou desconhecer a falta de reajuste no Bolsa Família e assumiu a responsabilidade pelos índices de desaprovação de sua gestão.
A última pesquisa Datafolha, divulgada na quinta-feira (15), aponta um cenário de empate técnico na corrida presidencial, com Flávio Bolsonaro somando 51% das intenções de votos válidos, contra 49% de Luiz Inácio Lula da Silva.
