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“Quem vai dizer quem fala sou eu”: Edson Marques endurece discurso após protesto na Câmara de Ipiaú

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Presidente da Câmara afirma que não permitirá manifestações de pessoas que, segundo ele, desrespeitaram vereadores e diz que passará a definir quem poderá usar a tribuna

O episódio envolvendo representantes do grupo Amigos da Zona Rural e a Câmara Municipal de Ipiaú ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (7), após o presidente do Legislativo, vereador Edson Marques, comentar o caso durante participação no programa Amarelinho Notícias, da Ipiaú FM. (Ver)

A polêmica começou na noite de quinta-feira (6), durante uma sessão solene na Câmara. Representantes do grupo haviam solicitado espaço para se manifestar sobre reivindicações relacionadas à zona rural, especialmente questões envolvendo estradas e serviços públicos.

Logo no início da sessão, Edson Marques explicou que, por se tratar de uma solenidade, o Regimento Interno não permitiria a abertura de debate ou o uso da tribuna naquela ocasião. Segundo o próprio presidente, a sessão solene não teria estrutura regimental para receber manifestações ou discussões como ocorreria em uma sessão ordinária.

A reação foi silenciosa, mas chamou atenção. Os integrantes do grupo se levantaram, permaneceram de costas para os vereadores por alguns instantes e deixaram o plenário sem fazer discurso.

O gesto foi interpretado como uma forma de protesto diante da impossibilidade de manifestação.

Grupo Amigos da Zona Rural cobra espaço para apresentar demandas e protesta após adiamento do uso da Tribuna Livre; representante critica postura de vereadores

Presidente revela bastidores e endurece discurso

No rádio, Edson Marques afirmou que vinha mantendo conversas para tentar aproximar o grupo da Câmara e que chegou a defender uma reunião envolvendo representantes da zona rural, vereadores e a gestão municipal.

Segundo o presidente, entretanto, integrantes do movimento teriam optado posteriormente por não realizar essa reunião conjunta e mantido o pedido para utilizar o espaço da Câmara.

Edson também fez questão de destacar uma questão institucional: segundo ele, vereadores não possuem poder de execução para determinar diretamente a realização de serviços na zona rural, como patrolamento de estradas. O papel parlamentar, explicou, seria cobrar, encaminhar ofícios e fiscalizar as ações do Executivo.

Mas foi outro ponto da entrevista que elevou o tom da discussão.

O presidente afirmou ter recebido áudios nos quais, segundo seu relato, vereadores teriam sido chamados de termos ofensivos, incluindo “moleque”, “vagabundo” e “canalha”. Edson declarou que os áudios já estariam em poder de seus advogados e que medidas jurídicas poderiam ser adotadas para apurar responsabilidades.

O vereador, porém, não apresentou publicamente, durante a entrevista, uma decisão judicial ou qualquer conclusão oficial que confirme eventual prática de crime. Por isso, as acusações devem ser tratadas como alegações relatadas pelo presidente, até que sejam devidamente apuradas.

“Quem vai dizer quem fala sou eu”

Em seu discurso, Edson Marques também fez uma declaração que pode provocar novos debates dentro e fora do Legislativo.

O presidente afirmou que a Câmara continuará aberta para receber reivindicações, mas disse que, daqui para frente, pretende exercer sua prerrogativa de definir quem poderá falar na tribuna, especialmente diante de manifestações que considere desrespeitosas.

“Respeite para ser respeitado”, afirmou o vereador durante a entrevista, ao defender que críticas políticas não ultrapassem os limites do respeito pessoal.

A declaração abre uma nova discussão: até onde vai a autoridade do presidente da Câmara para organizar o uso da tribuna e onde começa o direito de manifestação da população?

O episódio, que começou com um protesto silencioso de representantes da zona rural, agora ganhou contornos políticos e jurídicos.

De um lado, moradores reivindicam espaço para apresentar suas demandas. Do outro, o presidente da Câmara sustenta que existem regras regimentais e que críticas políticas não podem se transformar em ataques pessoais.

No meio dessa disputa está uma pergunta que interessa diretamente à população: a Câmara conseguirá transformar o conflito em diálogo ou o episódio será apenas o primeiro capítulo de uma nova queda de braço entre o Legislativo, representantes da zona rural e o Executivo municipal?

Até o momento, não há, nesta matéria, manifestação dos representantes do grupo Amigos da Zona Rural sobre as declarações feitas por Edson Marques no rádio. O espaço permanece aberto para esclarecimentos e contrapontos.

Redação Ipiaú TV

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