
O cenário político baiano subiu de temperatura após o deputado federal Jorge Solla (PT) classificar abertamente o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), como “traidor”. A declaração, ocorrida nesta terça-feira (3) em um grupo de WhatsApp que reúne a elite política e empresarial do estado, expõe uma ferida aberta na estratégia de alianças do Palácio de Ondina para as próximas composições majoritárias.
A reação intempestiva de Solla foi desencadeada por rumores de que Cocá estaria sendo sondado para ocupar a vaga de vice na chapa de ACM Neto (União Brasil). Sem poupar críticas, o petista relembrou a trajetória do prefeito sob a tutela do ministro Rui Costa. “Rui Costa foi quem fez ele deputado estadual, prefeito de Jequié e presidente da UPB. Na primeira oportunidade traiu Rui!”, disparou Solla, completando com um irônico “Que ótimo!!!” ao celebrar a possível saída definitiva de Cocá da base governista.
A fala, no entanto, coloca o deputado em rota de colisão direta com a articulação conduzida pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT) e pelo secretário Adolpho Loyola. Ambos têm dedicado esforços para reaproximar o gestor jequieense do núcleo do governo, inclusive ventilando o nome de Cocá para compor uma eventual chapa majoritária. A ironia do vereador de Salvador, Cláudio Tinoco (União Brasil), que reagiu afirmando estar “feliz com a aprovação” de Solla ao nome do prefeito, sublinha o desgaste que o fogo amigo causa na diplomacia política do PT baiano. * Redação Ipiaú TV