
A corrida pelas 63 cadeiras da Assembleia Legislativa da Bahia em 2026 já começou nos bastidores, e Jequié, mais uma vez, assume papel central no xadrez político regional. Três nomes conhecidos do eleitorado local e do entorno despontam como protagonistas de uma disputa que promete ser marcada por alianças improváveis, rupturas convenientes e sobrevivência política.
Hassan Iossef, eleito em 2022 como a grande surpresa do pleito, tenta consolidar o segundo mandato. À época, obteve expressivos 60.714 votos, sendo 26.696 apenas em Jequié, desempenho que só foi possível graças ao engajamento direto do então aliado e prefeito Zé Cocá (PP), que praticamente “carregou no colo” a campanha do correligionário — daí o rótulo que pegou: Hassan de Zé Cocá. Eleito na oposição, Hassan agora muda de lado sem cerimônia. Acompanhou Cocá na ruptura do PP com o PT e, ironicamente, desembarcou na base governista de Jerônimo Rodrigues (PT). A iminente troca do PP pelo PSB não é apenas partidária, é estratégica: o deputado ampliou de forma significativa sua base e hoje concentra o apoio da maioria dos prefeitos da região, consolidando-se como peça-chave do governismo no Médio Rio de Contas.
Do outro lado, Euclides Fernandes (PT) representa a política tradicional, resiliente e, sobretudo, insistente. Com cinco mandatos de deputado estadual, tenta o sexto, mesmo após especulações de que abriria espaço para o filho, o vereador Ramon Fernandes. As articulações mais recentes, no entanto, indicam que o veterano não pretende se aposentar tão cedo. Sua trajetória é longa: oito mandatos consecutivos como vereador e ingresso na ALBA em 2006, impulsionado pela força do legislativo municipal de Jequié. Em 2022, mesmo enfrentando adversidades significativas — rompimento com Zé Cocá, ausência do apoio de Rui Costa, que preferiu outro nome, e limitações físicas após um grave acidente — conseguiu se reeleger com 55.278 votos, sendo 14.731 em Jequié. Para 2026, deve reeditar a dobradinha com o deputado federal Antônio Brito (PSD), ainda que o prefeito de Jequié trabalhe intensamente para deslocar esse capital político em favor de Leur Lomanto Jr. (UB), nome alinhado ao grupo de ACM Neto.
Correndo por fora, mas longe de ser coadjuvante, está Patrick Lopes (Avante). Ex-prefeito de Jitaúna, renunciou ao cargo no apagar das luzes do prazo de desincompatibilização e surfou na crise política entre Rui Costa e Zé Cocá para chegar à ALBA. Mesmo com uma campanha vista como frágil por analistas políticos, foi eleito com 35.607 votos, desempenho considerável para um estreante. Estigmatizado como político “festeiro” e supostamente desapegado ao mandato, Patrick parece ter adotado justamente essa imagem como estratégia. Longe dos holofotes do debate ideológico, ampliou silenciosamente sua base, conquistou novos prefeitos, lideranças regionais e fortaleceu laços com o governador Jerônimo Rodrigues. Nos corredores do poder, é tratado como homem de confiança do ministro da Casa Civil do governo Lula, o que o coloca em posição privilegiada dentro da engrenagem petista.
O fato é que, em Jequié e região, a disputa por 2026 não será apenas de votos, mas de influência, fidelidade e sobrevivência política. Ideologia, mais uma vez, parece ser detalhe. O que está em jogo é quem consegue permanecer no centro do poder — custe o que custar. *Por Marcos Frahm / BMF