
A situação da moradora de Itagibá, Soraia Fontes dos Santos, de 48 anos, tem gerado comoção e indignação na comunidade. Diagnosticada com obesidade mórbida e cardiopatia reumática, a paciente enfrenta um quadro clínico considerado grave e depende da redução significativa de peso para realizar uma cirurgia da válvula mitral do coração, procedimento indicado por equipe médica especializada em Salvador.
Acompanhada desde agosto de 2023 no Hospital Ana Nery, referência estadual em cardiologia, Soraia já obteve avanços importantes com o tratamento, reduzindo o peso de mais de 200 quilos para cerca de 142 quilos. No entanto, conforme laudo médico, o peso atual ainda impede a realização segura da cirurgia, inclusive por limitações técnicas da mesa cirúrgica. A orientação médica é clara: a paciente precisa atingir, ao menos, a faixa dos 100 quilos para diminuir os riscos operatórios.
Até recentemente, parte do tratamento vinha sendo viabilizada com apoio do município. Contudo, segundo relato da paciente, o fornecimento do medicamento utilizado para controle da obesidade foi interrompido. Após nova avaliação, a médica responsável indicou a substituição por um medicamento mais potente, com previsão de uso por cerca de dois anos. O custo mensal gira em torno de R$ 3 mil, valor incompatível com a realidade financeira da família.
Soraia afirma que procurou a Secretaria Municipal de Saúde e conseguiu garantir outras medicações de uso contínuo, fundamentais para a estabilidade cardiovascular. Entretanto, foi informada de que a Prefeitura de Itagibá não teria condições de custear o novo medicamento indicado, mesmo diante de relatório médico que aponta a dependência direta do tratamento para a realização da cirurgia e para a preservação da vida da paciente.
A negativa tem sido alvo de críticas por parte de moradores e lideranças locais, que questionam a falta de prioridade dada a um caso de saúde considerado grave. Para essas pessoas, a situação evidencia fragilidades na política de assistência farmacêutica do município, especialmente quando se trata de tratamentos de alto custo e pacientes em condição de vulnerabilidade social.
Sem alternativa imediata, Soraia recorreu à solidariedade da população, promovendo rifas, vaquinha virtual e a realização de uma feijoada beneficente, marcada para o dia 8 de março. Mãe de cinco filhos, sendo duas crianças menores, ela relata que a família vive atualmente com renda limitada a um salário mínimo, já que o marido está desempregado, o que torna inviável arcar com o tratamento por conta própria.
Em relatório clínico datado de 15 de janeiro de 2026, a equipe médica ressalta que se trata de uma “paciente grave”, cujo desfecho depende diretamente do uso contínuo da medicação indicada, condição necessária para o enquadramento cirúrgico. Diante disso, Soraia também informou que pretende buscar a via judicial para garantir o acesso ao tratamento.
O caso levanta um debate sensível sobre o papel do poder público municipal na garantia do direito à saúde, especialmente em situações que envolvem risco de vida. Até o fechamento desta matéria, a Prefeitura de Itagibá não havia se manifestado oficialmente sobre o caso ou sobre a possibilidade de adoção de medidas excepcionais para atender à paciente. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
* Redação Ipiaú TV