
O prefeito de Ibirataia, Sandro Futuca, utilizou as redes sociais nesta semana para rebater uma matéria jornalística que avaliou os primeiros meses de sua gestão, classificando o conteúdo como “equivocado” e “infundado”. No vídeo, o gestor demonstrou incômodo com a abordagem crítica e convidou os responsáveis pela publicação a visitarem o município para, segundo ele, constatarem pessoalmente o andamento das obras e ações do governo.
Na gravação, o prefeito elencou uma série de intervenções que estariam em curso, como obras de terraplanagem para escola e unidade de saúde, construção de complexo policial, galpões na feira livre, casas populares, ginásio de esportes e serviços de pavimentação em diversos pontos da cidade. Também citou entregas de fardamento escolar e ações sociais, afirmando que a administração estaria focada na prestação de serviços públicos de qualidade.
Apesar do discurso otimista, a reação do chefe do Executivo chama atenção por ir além da simples contestação técnica. Ao classificar a reportagem como “irresponsável” e sugerir motivações políticas ou econômicas por trás das críticas, o prefeito acabou elevando o tom do debate e colocando em evidência a relação delicada entre poder público e imprensa.
A matéria questionada, por sua vez, reconhecia o início intenso da gestão, marcado por presença nos bairros e ações visíveis, mas apontava sinais de desgaste ao longo do tempo, mencionando críticas populares, demissões e relatos de dificuldades administrativas nos bastidores. Um retrato comum em análises políticas, especialmente em governos que começam sob forte expectativa popular.
Outro ponto sensível do pronunciamento foi a menção a uma suposta avaliação de governo com 84% de aprovação, dado apresentado sem detalhamento público sobre metodologia, período ou instituto responsável pela pesquisa, o que naturalmente levanta questionamentos em um ambiente de debate democrático.
Ao atribuir as críticas à suspensão de contratos de publicidade institucional, o prefeito introduziu um elemento ainda mais delicado na discussão: a possível confusão entre cobertura jornalística e relação comercial com o poder público. Especialistas em comunicação costumam alertar que esse tipo de argumento, quando não devidamente comprovado, pode gerar interpretações de tentativa de deslegitimar o papel fiscalizador da imprensa.
O episódio evidencia que, mais do que obras e números, a gestão municipal enfrenta agora um desafio político e institucional: lidar com críticas, divergências e análises públicas sem transformar o debate em confronto. Em democracias locais, o contraditório, a fiscalização e a liberdade de imprensa fazem parte do processo — inclusive quando o conteúdo publicado desagrada.
O governo segue em andamento, com espaço para ajustes, esclarecimentos e prestação de contas. Resta saber se o caminho escolhido será o do diálogo institucional ou o do embate permanente com quem questiona.
* Redação Ipiaú TV