
A história de Rogério Pereira dos Santos, o “Sapo”, não se resume a cruzados e esquivas. É, antes de tudo, uma narrativa de resistência social e força ancestral. Nascido em Ipiaú, em 28 de março de 1985, e criado na vibrante comunidade de Japomirim (Itagibá), Sapo cresceu sob a égide da resiliência de sua mãe, Dona Valdelice. Em um cenário onde a riqueza do cacau passava longe das mãos de sua família, ele forjou seu caráter na disciplina e na determinação, valores que o transformariam em um dos nomes mais respeitados do boxe regional e internacional.

O percurso de Sapo no esporte teve um início decisivo: a capoeira. Foi através da ginga e do incentivo de mestres locais que ele descobriu sua vocação para os punhos. O boxe, no entanto, estava no sangue; seu pai, falecido precocemente, também fora pugilista. Sem recursos, mas com uma vontade inabalável, Sapo chegou a pedalar 22 quilômetros para disputar seu primeiro campeonato em Itagibá, onde venceu dois combates no mesmo dia. Esse foi o prefácio de uma carreira que o levaria a nocautear campeões brasileiros, como Tyson Tigre, e a conquistar os títulos Baiano, Brasileiro, Latino-Americano e Americano.

A consagração internacional veio com a ida para os Estados Unidos e Canadá, alcançando o posto de um dos dez melhores do mundo em sua categoria. Em solo americano, viveu momentos emblemáticos, como o encontro com a lenda Mike Tyson.]

“Ele demonstrou curiosidade em conhecer o ‘Mike Tyson brasileiro’ e mostrou-se extremamente humilde”, recorda o atleta. Hoje, ao lado da esposa Tizza Yasmin, ele mantém sua própria academia, perpetuando o esporte como ferramenta de transformação social. A trajetória de Sapo é a prova viva de que o ringue é um espaço de afirmação de identidade e superação de barreiras para quem representa com orgulho o interior da Bahia. * Redação Ipiaú TV