
Ícone do reggae brasileiro, Edson Gomes estreou no Festival Virada Salvador neste domingo (28), abrindo a segunda noite do evento na Orla da Boca do Rio. Aos 70 anos e com mais de cinco décadas de carreira, o cantor celebrou a estreia com bom humor e referência a um de seus maiores sucessos.
No palco, Edson praticamente não precisou cantar sozinho. O público, formado por crianças, jovens, adultos e idosos, acompanhou cada verso, transformando o show em um grande coro. As músicas de resistência, marca registrada do artista, foram entoadas como verdadeiros hinos por quem acompanhava a apresentação.
Letras seguem atuais, diz cantor
Durante entrevista à imprensa, Edson Gomes falou sobre o significado das letras que construiu ao longo da carreira e afirmou que muitas das críticas feitas no passado seguem atuais, ou até mais evidentes hoje.
“Minha música fala de uma situação que existia, mas a maioria das pessoas não percebiam”, afirmou.
O cantor destacou que, ao longo dos anos, usou o reggae para denunciar desigualdades e corrupção, temas que, segundo ele, hoje estão ainda mais explícitos.
“Eu percebia antes que havia essa corrupção, que havia essas coisas. E hoje a quantidade de corrupção aumentou tanto que todo mundo percebe. Está tendo tanto rato, fazendo tanto barulho, que está todo mundo ouvindo, que está todo mundo sabendo. Muito rato em Brasília”, declarou.
Fala sobre fim de carreira preocupa fãs
Ainda na coletiva, Edson Gomes chamou atenção ao falar sobre o futuro da carreira. O artista afirmou que está bem clinicamente, mas fez um desabafo ao dizer que acredita estar próximo do fim.
Segundo ele, as mensagens que carrega ao longo da vida artística incomodam e sempre incomodaram.
O cantor disse que “os únicos que querem me matar” são aqueles que não aceitam suas denúncias e posicionamentos, afirmando que o fim está próximo, sem dar detalhes ou citar nomes.
Apesar do tom sério da fala fora do palco, Edson Gomes mostrou diante do público que sua obra segue viva, atual e atravessando gerações, cantada em coro, com força, resistência e identidade.