
A manhã desta sexta-feira (20/03) transformou o cenário político de Jequié em um verdadeiro campo de batalha retórico. Durante passagem pelo município, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o senador Jaques Wagner, ambos do PT, elevaram o tom contra o prefeito Zé Cocá (PP). As críticas, centradas em uma suposta “ingratidão” do gestor, expõem a ferida aberta na relação entre o Palácio de Ondina e o atual prefeito, que é ventilado como provável vice na chapa de oposição liderada por ACM Neto (UB).
Em entrevista à Rádio 93 FM, o tom adotado pela cúpula petista chamou a atenção pela agressividade. O ministro Rui Costa não poupou adjetivos ao classificar a postura de Cocá como ingrata, sendo endossado por Wagner pouco depois. A ofensiva busca desgastar a imagem do prefeito diante de sua aproximação com o grupo carlista, mas a resposta de Zé Cocá veio de forma imediata e incisiva, trazendo à tona as recentes tensões internas da base governista estadual.
Em nota oficial, Zé Cocá rebateu as acusações devolvendo o rótulo de “traidor” ao grupo petista. O prefeito utilizou como escudo o episódio envolvendo o senador Ângelo Coronel (PSD), que teria sido rifado da chapa majoritária para dar lugar a uma composição “puro sangue” do PT. “Eles me chamam de traidor, mas foram eles que traíram Ângelo Coronel”, disparou o gestor, argumentando que sua relação com o governador Jerônimo Rodrigues sempre foi estritamente institucional e mediada pelo deputado Hassan.
Cocá ainda revelou que o próprio Rui Costa, em visitas anteriores, já articulava nomes da base governista para disputar a prefeitura de Jequié, o que, segundo ele, prova a inexistência de qualquer acordo político prévio. “Coloquei as divergências ideológicas de lado para trabalhar pelo povo. Me surpreende essa fala agora, quando sempre busquei apenas as obras prometidas para Jequié”, concluiu. O embate marca o início de uma pré-campanha que promete ser uma das mais polarizadas da história recente da Bahia. * Redação Ipiaú TV