
Especialista em políticas públicas e desenvolvimento sustentável estreia espaço de opinião e análise crítica
A concessão do título de cidadão ipiauense é um reconhecimento significativo que deve ser reservado a indivíduos que tenham prestado relevantes serviços ao município, conforme estabelece a Lei Orgânica do Município e o Regimento Interno da Câmara de Vereadores. Este título não é meramente cerimonial; é um símbolo de apreço pela contribuição efetiva ao bem-estar e desenvolvimento da comunidade. No entanto, ao observar o perfil de ACM Neto, ex-prefeito de Salvador, é difícil justificar sua nomeação para tal honraria, especialmente considerando que até o momento não há registro de feitos políticos ou pessoais que beneficiem Ipiaú e sua população de forma direta.
Historicamente, a família de ACM Neto, representada por seu avô, também chamado ACM, foi conhecida por atuar em favor de cidades que estavam alinhadas politicamente com seus interesses, como se observa nos casos de lideranças influentes como Cleriston Andrade, Miguel Coutinho e Zé Mota, entre outros. Essas relações demonstram que a distribuição de benesses políticas em sua época foi feita com base em alianças estratégicas, e não por uma visão mais ampla e equitativa do desenvolvimento estadual. Assim, o legado de ACM se distancia dos princípios da igualdade e da justiça social.
Em contrapartida, os governadores da Bahia mais recentes, como Jaques Wagner, Rui Costa e atualmente Jerônimo Rodrigues, têm seguido uma linha política alinhada ao legado de Lula, priorizando as necessidades do povo em detrimento de preferências partidárias ou pessoais. Essa abordagem democrática e apolítica, que busca beneficiar a coletividade independentemente de considerações eleitorais, contrasta fortemente com a prática histórica da concessão de favores a lideranças que se alinhavam ao poder vigente.
Legalmente, a concessão do título a ACM Neto pode levantar questionamentos éticos e políticos. Uma denúncia de improbidade pode ser fundamentada na ausência de contribuições concretas de sua parte ao município de Ipiaú, configurando a concessão como uma tentativa de utilização deste importante reconhecimento como um palanque político. Para seus apoiadores, ACM Neto representando uma pré-candidatura ao governo da Bahia, essa honraria se configura como uma manobra para ganhar protagonismo e visibilidade em um município que, até então, não foi diretamente impactado por suas ações políticas.
A análise crítica deste ato revela que a intenção por trás da concessão do título se insere em um contexto mais amplo de estratégia política, onde aliados buscam capitalizar apoio em áreas que nem sempre foram priorizadas pelo ex-prefeito. As portas abertas para ACM Neto através desse título não só deslegitimam a importância da honraria, como também desconsideram o valor das contribuições reais que, de fato, mereceriam tal reconhecimento.
Portanto, a concessão do título de cidadão ipiauense a ACM Neto deve ser amplamente reavaliada, não apenas em termos de histórico familiar e práticas políticas, mas também em relação ao que verdadeiramente representa a cidadania e a valorização dos que têm efetivamente contribuído para a construção e o fortalecimento de Ipiaú e da Bahia.
Por.:
Joéliton Alves dos Santos – Escritor, Professor e Consultor Em Estratégias de Gestão para o Desenvolvimento Sustentável.
Doutor Em Educação, Políticas Púbicas e Gestão.
Ipiaú, Ba – 07 de Março de 2026 .
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