
Em um movimento que ecoa como um divisor de águas nas alianças políticas da Bahia, o prefeito de Jequié e uma das vozes mais influentes do PP, Zé Cocá, disparou críticas diretas à condução do Governo Federal sob o comando do presidente Lula. Durante entrevista à rádio 95 FM nesta terça-feira (3), o gestor não apenas questionou a eficácia da atual gestão, como afirmou categoricamente que o ciclo do petista na presidência já se esgotou.
O posicionamento de Cocá ocorre em um momento estratégico: o prefeito é alvo de uma “cabo de guerra” entre a base governista de Jerônimo Rodrigues (PT) e o bloco de oposição liderado por ACM Neto (União Brasil). Para analistas, a fala de Cocá sinaliza um distanciamento do petismo, consolidando seu nome como um dos favoritos da oposição para compor a chapa majoritária em 2026, possivelmente na vaga de vice-governador.
Críticas ao Endividamento e à “Bolha” de Brasília
Sem poupar palavras, Zé Cocá utilizou uma metáfora doméstica para criticar o endividamento público, que ultrapassa os 80% do PIB. Segundo ele, a máquina administrativa tornou-se insustentável.
“A máquina pública é cara, Brasília é um absurdo. Vi isso com Lula, com Bolsonaro, com todos. É gente com salário de 40, 50, 60 mil reais. O setor público brasileiro ficou muito caro”, disparou o prefeito.
Para o gestor jequieense, o Brasil carece de uma liderança com “pujança” e coragem para realizar cortes drásticos em gastos não essenciais. “Eu, particularmente, acho que Lula já deu o seu tempo. Acho que o Brasil precisa de mais. Precisamos de um candidato mais pujante”, pontuou, ressaltando que, sem reformas estruturantes, o país caminha para um colapso financeiro, independentemente de ideologias de direita ou esquerda.
O tom incisivo de Cocá coloca pressão sobre o cenário estadual, onde o PP ainda flutua entre os dois polos de poder, e deixa claro que o prefeito de Jequié não está disposto a aceitar o status quo administrativo imposto pelo atual governo federal. * Redação Ipiaú TV