
O prefeito de Ibirataia, Sandro Futuca, voltou ao centro do debate público após utilizar as redes sociais para se posicionar sobre a repercussão envolvendo a Copa Intervale, competição esportiva de alcance regional. No vídeo divulgado, o gestor negou ter autorizado o uso de seu nome ou da prefeitura como apoiadores do evento e afirmou que não houve tratativas formais com a administração municipal.
Embora o pronunciamento tenha tido como objetivo esclarecer a posição do Executivo, o conteúdo e a forma da manifestação acabaram produzindo um efeito contrário. A fala gerou dúvidas, interpretações divergentes e insegurança informacional entre organizadores, leitores e moradores, que relataram dificuldade em compreender se houve contatos preliminares, diálogos informais ou apenas a ausência de formalização administrativa.
Ao não estabelecer de maneira objetiva a distinção entre conversas informais, intenção política e procedimentos legais, a comunicação oficial ampliou o ruído em torno do tema. Em termos institucionais, especialistas apontam que esse tipo de ambiguidade tende a fragilizar a narrativa pública e a gerar desgaste político desnecessário, especialmente em temas de grande repercussão social.
A Copa Intervale é amplamente reconhecida pelo impacto social, cultural e econômico nos municípios participantes, fortalecendo o esporte amador, promovendo integração regional e movimentando a economia local. Nesse contexto, o apoio institucional ao esporte — quando existente — costuma ser visto como política pública relevante, desde que realizado com transparência, publicidade dos atos e respeito aos trâmites administrativos.
O episódio também reacendeu o debate sobre a forma como o Executivo municipal reage a questionamentos públicos. Ao adotar um tom mais confrontacional e atribuir responsabilidade à divulgação de “informações falsas”, sem detalhar tecnicamente os pontos de divergência, o pronunciamento acabou deslocando o foco do esclarecimento para o embate discursivo.
Em segundo plano, a polêmica se soma a um histórico recente de reações do prefeito a análises jornalísticas sobre sua gestão, indicando uma recorrência de tensionamento entre o Executivo e o ambiente de crítica pública. Ainda que legítimo, o direito de resposta institucional exige clareza, objetividade e precisão técnica para evitar interpretações conflitantes.
Além disso, a ausência de uma manifestação formal da Secretaria de Esportes ou de nota oficial detalhada contribuiu para a percepção de desorganização comunicacional. Em administrações públicas, a padronização do discurso e o uso de canais institucionais são considerados fundamentais para garantir segurança jurídica e previsibilidade das informações.
O conjunto dos fatos evidencia que a polêmica em torno da Copa Intervale extrapolou o campo esportivo e passou a revelar um desafio maior da gestão municipal: a condução da comunicação institucional em temas sensíveis e de alta visibilidade pública.
O governo segue em andamento, com possibilidade de novos esclarecimentos e ajustes na forma de comunicação. O episódio, no entanto, já se consolidou como mais um ponto de tensão política, cujo impacto vai além do evento esportivo e alcança a percepção pública sobre a postura do Executivo diante do debate democrático. * Redação Ipiaú TV