Home Destaque Prefeitura de Itagibá rebate matéria, mas evita esclarecer ponto central de investigação do MP sobre contrato de capina elétrica

Prefeitura de Itagibá rebate matéria, mas evita esclarecer ponto central de investigação do MP sobre contrato de capina elétrica

por suporte
Prefeitura reage à reportagem, mas deixa sem resposta o ponto central apurado pelo MP-BA.

Após a publicação de reportagem pelo jornal A TARDE, posteriormente repercutida pelo site Ipiaú TV e nas redes sociais do portal, a Prefeitura Municipal de Itagibá divulgou uma extensa nota de esclarecimento a respeito do Contrato nº 042/2024, que trata da prestação de serviços de capina elétrica no município.

O contrato é alvo de procedimento investigatório instaurado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), que apura a legalidade do processo licitatório e da execução contratual firmada entre a gestão do prefeito Marcos Valério Barreto (PCdoB) e a empresa Ecolimp Serviços e Limpeza Ltda.

Na nota oficial, a Prefeitura afirma que não há irregularidades, sustentando-se em relatórios técnicos internos que atestariam a conformidade da execução contratual com o termo de referência, normas técnicas e orientações do fabricante do equipamento utilizado. O município também reforça que permanece à disposição dos órgãos de controle, como o próprio Ministério Público e o Tribunal de Contas.

Nota oficial prioriza contestar o tempo da publicação, enquanto investigação segue em andamento.

No entanto, chama atenção o fato de que, apesar do volume de argumentos técnicos e institucionais apresentados, a nota não esclarece objetivamente o fato central que motivou a apuração ministerial, tampouco enfrenta, de forma direta, os questionamentos levantados pela investigação em curso.

Em vez disso, a manifestação do Executivo municipal dedica parte significativa do texto a criticar o tempo de resposta jornalística, alegando que o pedido de esclarecimentos enviado pelo repórter teria sido feito apenas 28 minutos antes da publicação da matéria. Especialistas em comunicação e direito à informação ressaltam, contudo, que o prazo de resposta não impede a publicação de informações de interesse público, sobretudo quando há instauração formal de procedimento investigatório por órgão de controle.

O pedido de posicionamento prévio, nesses casos, não configura obrigação legal, mas sim um gesto de boa-fé jornalística e de abertura ao contraditório, que permanece garantido mesmo após a publicação. O direito de resposta, inclusive, continua assegurado por lei.

Outro ponto que merece destaque é que a Prefeitura afirma refutar “qualquer alegação de irregularidade, superfaturamento ou prejuízo ao erário”, embora o próprio Ministério Público ainda esteja na fase inicial de apuração, justamente para verificar se tais hipóteses se confirmam ou não. A nota, portanto, antecipa conclusões administrativas internas, mas não substitui o papel constitucional dos órgãos de fiscalização externa.

A reportagem original também contextualizou que a empresa Ecolimp mantém contratos com outros municípios da região, incluindo Jequié, onde recebeu quase R$ 2 milhões em repasses entre 2024 e 2025 — informação pública, verificável e relevante para o interesse coletivo, especialmente em análises comparativas de gastos públicos.

Dessa forma, embora a Prefeitura de Itagibá apresente uma narrativa institucional de regularidade e governança, permanece a lacuna quanto à explicação objetiva dos fatos que levaram o MP-BA a instaurar o procedimento investigatório, elemento central da notícia e de evidente interesse público.

O Ipiaú TV reforça que seguirá acompanhando os desdobramentos do caso, com base em documentos oficiais, decisões dos órgãos competentes e no compromisso com a informação responsável, técnica e transparente. * Redação Ipiaú TV

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